quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

sábado, 24 de novembro de 2012

 
"Quando a areia movimentou-se pela primeira vez à minha mente a brisa repousava. O pensamento nada construía a não ser cotidianidades perversas. As línguas que se moviam me soavam parecidas com prosas peculiares. Os dias nada mais eram que migalhas que o Senhor distribuía por causa do tédio e piedade divina; e o aproveitamento era feito com má vontade apenas para contribuir com o andamento natural.
Pela primeira vez eu sentia algo desigual, à minha vida o óbvio ainda imperava em contínuos segundos métricos, porém, os ponteiros pareciam desregular-se grau a grau. O sopro chegou estranhamente no mato que cercava minha ilha de maneira desigual aos outros passados. Algo sobrenatural se sucedia quando o anum soou seu grito.
O café ainda era o mesmo , e as expressões familiares. Nada de estranho se passava no covil. Aliás, todas as batas eram iguais, tirando as novas com almas recém-chegadas. Isso era apenas mais um bando com crenças afloradas e cabeças confusas. Passaram rapidamente pelo corredor com olhos girando pelas telas nas paredes. Em pouco tempo pude ver o céu limpo entre todas as nuvens negras.
Passadas algumas horas fui ao salão principal acompanhar a cerimônia de apresentação do novo grupo. Ele era maior do que eu tinha notado. Talvez a distração me tivesse cegado por alguns instantes. Enquanto a cerimônia se desenrolava, minha visão buscava o céu que tinha avistado mais cedo. Não demorou muito até ouví-la apresentar-se como Maria. Sabia que os olhos de céu não me eram estranhos. Com certeza era a própria em minha frente, naquele momento me tornava mais devota."
 
Por Ronaldo Santos

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Crônica de Um Príncipe ao Pequeno Príncipe.


Desde que eu sai da rota dos planetas estranhos, percebi que eu tenho andado muito observando as muitas formas de vida e, principalmente, como essas formas se relacionam. É engraçado, por que em todas eu vejo o quanto o amor é comum - não muda nada, a não ser a forma como eles chamam isso.
E eu senti que tenho ficado mais velho a medida que os anos-luz se passam. Eu não sou mais apaixonado pela Rosa. E também não tenho mais o mesmo apreço por brincadeiras - além do mais, meu pensamento têm amadurecido exponencialmente, de modo que até a forma como falo é diferente. Eu cresci.
E à medida que tenho evoluído, percebo que por mais que as formas de vida exponham o sublime do amor, naquele estranho lugar que é a Terra, as coisas funcionam as avessas - e aquilo me assusta.
Mas eu carreguei lições que mudaram ainda mais as minhas concepções sobre quem sou, por que sou, para onde vou e por que jamais devo me sentir sozinho. E eu não estou. De Pequeno sou apenas Um Príncipe - de princípios. Não que nunca os tivesse, mas você sabe, seja lá quem for, que desde pequeno minha inocência têm me permitido ver o mundo com olhos de santidade e, hoje, aos dezessete que completo por insistência, tenho percebido que meus olhos se obrigam a enxergá-lo de duas formas: com a realidade que ele me joga na cara; e com a inocência que se resguarda em meu coração.
Se sou deprimido? Oh, não. Eu sou mais alegre do que pensas. Mas é por que quando reflito, little boy, fico distraído lá em cima, nas nuvens. No lugar invisível que somente eu enxergo. E há uma coisa que constatei: não quero ser um homem.  Eu quero ser Um Príncipe que não se saiba definir onde, nem como, nem porquê. Mas Um Príncipe que se reconhece. Mas eu sou homem de outras formas, no agir, no pensar e principalmente, na essência.
E sim, claro que quero prosseguir pelo espaço, por que ele é tão gigante que não cabe em meus olhos. Tenho muito a explorar, a descobrir ainda. A melhor lição que você me ensinou é que seja lá o que for que eu faça, para onde eu vá, seja lá quem for que eu preciso cuidar eu preciso do meu amor. Eu preciso não ter vergonha dele. E preciso usá-lo, a não ser que eu queira ser igual a maior parte dos habitantes da terra - e isso eu não quero mesmo.
Foi em você Pequeno Príncipe, que eu, Um Príncipe, compreendi o valor que são as pessoas ou as formas de vida e muito mais: o sentido da amizade, da lealdade, do amor, da inocência, da simplicidade, da bondade... Onde mais, a não ser sendo criança, aprenderia tanto?
Vou-me embora Pequeno. Vou-me embora, por que depois de mais velho fiquei mais apressado. Porém, jamais esquecido. Só estou experimentando o exagero da correria - lembra, eu posso controlar isso. Mas mais tarde. Estou viajando Pequeno. Vê se mantém essa consciência acesa em mim e não me deixe esquecê-lo.
Até um dia, ou seja, até a próxima reflexão que não tardará.

domingo, 22 de janeiro de 2012

"No que você acha que eu estou pensando? Só não pense muito, porque quando eu te olhar você saberá o por quê. Mantenha seu silêncio em teus lábios e entregue-os a mim com o beijo mais sincero que poderia dar-me. E não se intimide com minhas profundas respirações. Porém continue e continue e continue... Pouse sua mão em meu seio pulsante e, então verá do que é feito o meu amor - de você."

Caroline Pessoa