sábado, 10 de dezembro de 2011

Monólogo do Eu




Parece que eu não existo. Que não tenho lar. Que não tenho família. Então por que sinto que existo? Que estou viva? E que respiro?
Disseram-me que eu não sou gente – quase acreditei. Disseram-me que eu tinha quatro olhos, seis braços e quatro pernas. Eu sou a última espécime de algo que nunca existiu. Eles ainda dizem que vão me odiar, cuspir na minha cara e dizer que minha presença assusta e enoja. Mas eu não entendo o porquê, se durante toda a minha vida eu apenas disse que amava alguém.
Alguém apontou para mim gritando “Sua criatura imunda”. Deram-me um tapa no rosto e eu cai no chão. Onde será que estava a minha dignidade, eu não sei... Quis ficar ali. Alguém ainda chutou minhas convicções e outro ainda jogou fora as minhas esperanças – quiseram me matar.
Tentei levantar uma, duas, três vezes. Precisei de força e percebi que só eu mesma podia me dar essa força – não havia ninguém que pudesse fazer algo por mim. Pareço tanto assim que não sou nada?
Olhei-me no espelho e não vi um monstro – apenas uma garota. Só isso. Onde estavam as aberrações em mim? E por que eu seria tão indigna assim? Estava tão cansada que mal respirei. Lembrei que a minha memória não foi perdida e que posso ter consciência de quem meramente sou – e esse ser não é só meramente, ultrapassa as tantas barreiras que eu puder enfrentar. Quem tem mais força do que a minha vontade? Quem mais pode olhar nos meus olhos com verdade? Quem pode ser tão sincero quanto eu mesma?
Entendi que a resposta é ninguém. Ninguém que tenha ódio. Ninguém que tenha maus pensamentos. Ninguém que queira derrubar o mundo com alter ego. Eu estou aprendendo a ser inteligente e ainda estou no terceiro ano da faculdade. Tem quem saiba tanto, mas tanto de tudo no mundo que não sabe ser mais ser humano.
Continuaram a me dizer que eu não sou ninguém. Talvez eu não seja mesmo. E é ainda melhor ser eu mesma do que ser alguém como você. E você pode ser qualquer um.

Um comentário: