quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Diz-me

Diz-me. Diz-me que tenho uma vida e que queres vivê-la.
Diz-me que estará aqui logo ao amanhecer e me trará qualquer presente insignificante, para que eu possa apreciar.
Diz-me. Só. Diz-me: amor. O que diz-me? 
Diz-me que vai e que voltará a cada novo começo, em cada fim de tempo.
Senta. Aprecia-me. Olha-me. Afaga-me. Com tuas mãos, toma-me e esmaga meu coração na mesma velocidade que destruo o teu.
Dá-me teu amor e diz-me: Eu te amo. 
Mente para mim que vai embora e depois volta de olhos marejados de arrependimentos.
Então, diz-me com sinceridade que não irá deixar-me. Canta para mim. Enrosca-me. Ama-me.
Diz-me... Apenas... Em meu ouvido... O que queres?
Se queres, fica. Senta. E diz-me para onde vais, por que para onde fores será também o meu caminho.

                                  
                                                        (Caroline Pessoa)

Um comentário:

  1. Tocou-me profundamente o seu poema, acho inclusive que ele deve ser apreciado em casa
    de cultura popular joaquin correia...
    É a forma como se trabalha o tema que torna
    significante a composição, que diferencia um
    poeta mediocre de um bom poeta!
    Parabéns

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