quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Eu


Não sou o que você pensa que sou. Não sou o que eu vejo. Nem o que
quero. Quem sabe o que sou? Ninguém. Eu finjo, assim como você, que sou o que quero e uso máscaras - às vezes verdadeiras, mas ninguém acreditaria se visse - sou a mesma quase todos os dias. E você. Você é a mera projeção do nada. E eu. Eu. Eu sou um ser indefinível. Feita de indagações. Não sou respostas, sou questionamentos. Não me venha com meias verdades, não me mostre meias palavras. E mais uma coisa que precisa saber: nunca pense pelo óbvio. No meu álbum, apenas fotos. Nos meus olhos, um "eu" mais profundo que a sua vã filosofia precede.

Caroline Pessoa, por ela mesma.

Diz-me

Diz-me. Diz-me que tenho uma vida e que queres vivê-la.
Diz-me que estará aqui logo ao amanhecer e me trará qualquer presente insignificante, para que eu possa apreciar.
Diz-me. Só. Diz-me: amor. O que diz-me? 
Diz-me que vai e que voltará a cada novo começo, em cada fim de tempo.
Senta. Aprecia-me. Olha-me. Afaga-me. Com tuas mãos, toma-me e esmaga meu coração na mesma velocidade que destruo o teu.
Dá-me teu amor e diz-me: Eu te amo. 
Mente para mim que vai embora e depois volta de olhos marejados de arrependimentos.
Então, diz-me com sinceridade que não irá deixar-me. Canta para mim. Enrosca-me. Ama-me.
Diz-me... Apenas... Em meu ouvido... O que queres?
Se queres, fica. Senta. E diz-me para onde vais, por que para onde fores será também o meu caminho.

                                  
                                                        (Caroline Pessoa)