quinta-feira, 21 de abril de 2011

Decifrações

Por hoje eu caminhei por vários lugares de mim, mas não pude me encontrar. Senhor, se tu ouves minhas preces hoje, diga-me por qual caminho devo ir, e irei. Eu não sei por onde começar... Talvez devesse ler meus próprios pensamentos com maior precisão. Talvez devesse buscar um fio de esperança. Talvez não devesse fazer nada.
E se fizesse, que meu anjo me buscasse em teus braços e carregasse-me pelos céus; eu poderia sentir-me mais segura. Nessa segurança eu poderia sentir-me mais divina, por que uma luz completa a outra. Eu aprendi que não posso viver sozinha, não posso ignorar a luz alheia; na verdade eu preciso de outras luzes, de mãos, de guias, de amores. De pessoas. Lugares. Dias. Semanas. Anos.
Por hoje, desse dia cinza sem o gosto do meu café forte, só há frio e uma música melancólica sobre anjos que toca distante dessa sala. Somos apenas um papel, caneta, meu coração e eu nessa imensidão de coisas para dizer a todo mundo e a ninguém. Quem lerá? Ou escutará? Ou sentirá a pressa que sinto? E as preces. Ah, estas ficarão guardadas no meu inconsciente por que Deus irá buscar-me hoje, e falará comigo quando eu estiver despida de todas as incoerências da alma. Ele saberá onde deverá tocar-me.
O tempo todo que me busco, vejo o quão cheia de caminhos e fantasias sou composta. Minha condição de humana; minha condição de alma; minha condição de coração humano. Eu sei que desse turbilhão de sentimentos não correlacionados, não explicáveis e sem nenhuma interpretação, posso resgatar alguma coisa chamada de minha essência.
Deus sabe onde moro. E por isso, não temo ir a lugar algum.