domingo, 27 de fevereiro de 2011

Era uma vez...



http://www.youtube.com/watch?v=i1GmxMTwUgs

Era uma vez uma menina. Não uma menina comum, dessas de se ver no meio da rua. Mas uma menina com um sol no sorriso e estrelas nos olhos grandes. Era uma vez essa menina pequena dando os primeiros passos com covinhas no rosto sorrindo para Deus e o mundo, tão linda de vestido e sapatinhos vermelhos, tão santa na sua inocência quanto os anjos. Ela caminhava pela estrada de mãozinhas estendidas para o alto tentando alcançar as borboletas, mas elas voavam mais alto que sua estatura de anjinho infantil podia atingir. A menininha passava por algumas flores, passava por algumas pedras verdes ou azuis, tocava a terra, mas não podia alcançar o céu. 
Era uma vez uma garota de cabelos negros ondulados, com um sol no sorriso e estrelas no olhar. Não como essas garotas que se pode classificar de comum, mas uma dessas garotas que não se encontram nas capas das revistas, nem nos contos de fadas, nem nas ruas, nem em lugar algum. Era uma vez uma garota como essa, especial e tão delicada que não se podia contentar-se só em olhá-la. As flores queriam tocá-la, as pedras azuis e verdes queriam segui-la, a terra seria seu tapete e as borboletas voavam baixinho; e quando ela queria, estendia o braço e as borboletas vinham pousar nele. Era uma vez essa garota que mantinha uma covinha no rosto de tanto sorrir para Deus, o mundo e para as borboletas. Um dia a garota passava por uma árvore e quis deitar-se ali naquela sombra tão convidativa. A garota olhou para o céu e desejou tocar as nuvens, estendeu o braço, mas por mais que tentasse ela não conseguia, por que as nuvens ficavam a uma distância maior do que sua média estatura poderia alcançar. Então a garota adormecera sonhando que um dia poderia tocar as nuvens.
Era uma vez uma linda moça, garota ou menina. Essa moça ou garota ou menina, como queira, não era como essas moças ou meninas ou garotas que se encontram pela vizinhança. Era uma menina com olhos nas estrelas, uma garota com sorriso no sol e uma moça que brilhava. Essa garota, moça ou menina acordara de um sono meio profundo meio acordado - sim meio acordado. Sonhou que caminhava por uma estrada onde as flores queriam tocá-la, as pedras azuis ou verdes queriam segui-la, a terra ser o seu tapete e as borboletas brincarem de estátua no seu cabelo. A menina ou garota ou moça espreguiçou-se longamente, olhou para os lados e viu a tarde caindo. Escorou-se em uma grande árvore e ficou contemplando o pôr-do-sol com imensos raios dourados que se lançavam no infinito do céu laranja-dourado. A garota ou moça ou menina encheu seus olhos de estrela-cadente com a visão. Desejou andar até o sol e tocá-lo, mas não podia por que o sol ficava muito mais distante do que as borboletas, o céu e as nuvens. Então menina que podia ser moça ou, quem sabe, garota abrira um sol de sorriso tão caloroso que o pôr-do-sol e os imensos raios dourados buscaram aquela radiância de cristal. E então, todo o céu ficou misturado de laranja, dourado e cristal. Aquela moça talvez menina e por que não garota ficara encantada com o que podia fazer com seu sorriso, e então desde aquele dia, a garota, sim era uma menina, é claro era uma moça, continuou no seu caminho de sol e sorriso. De borboletas, de pedras azuis e verdes, com o tapete de terra, de cheiros de flores. De tarde a moça, concordo, menina, portanto, uma garota sorria para encontrar o pôr-do-sol e os imensos raios dourados, misturando-se ao laranja do céu e o cristal do seu sorriso. De noite, a menina seguia as estrelas-cadentes, olhava Orion e adormecia com as Três Marias. 
Um belo dia, um anjo desceu do céu e viu aquela forma tão infantil, mas tão adolescente e com detalhes tão adultos. O anjo olhou-a dormir calidamente. Observou-a em seus sonhos, em seus medos e talvez estivesse sempre observando-a durante toda a caminhada daquela criaturinha que não se encontrava por aí. O anjo tocou o rosto da garota e a menina acordou. Atônita a moça assustou-se com o anjo, mas para acalmá-la o anjinho sorriu e disse "Calma, tenho te observado durante muito tempo. Quer vir comigo?". A moça perguntou a menina se era bom a garota ir com o anjo. Então a menina disse "E para onde você me levará?". O anjo sorriu doce e disse "Te levarei para tocar o céu, as nuvens e se aquecer no sol". Aquela oferta parecia ser todo o desejo da moça, mas a menina sentiu medo e garota respirou fundo. Para tomar uma decisão daquela era preciso muita inocência, muita criatividade e muita responsabilidade. Garota, moça ou menina, ela aceitou. O anjo pegou-a pela mão e abraçou-a. Abriu as enormes asas e a levou pela imensidão do céu.
Então todas as manhãs o anjo e a menina-moça-garota ou garota-moça-menina voavam para tocar as nuvens; às tardes a menina e o anjo ficavam com o pôr-do-sol e os gigantescos raios dourados, misturados com sol cristalizado no sorriso da menina; à noite o anjo e a menina voavam até as estrelas, viajavam nos cometas, brincavam com as cadentes e atiravam pedrinhas na lua até a menininha adormecer nos braços do anjo, com uma inocência tão santinha e angelical que emocionava- o. 
Amanhã ela seria uma mulher, com uma vida e com todos os sonhos que podia ter. Por que ela não era a menininha comum, dessas de se encontrar por aí, mas uma menina com um sol no sorriso e estrelas nos olhos grandes; que dava os primeiros passos; os primeiros beijos e jamais parava de sorrir. 
E eu. Eu. O anjo. Eu o anjo amava aquela menininha, protegia-a, cuidava-a. E sabia que dali para frente ela seria feliz. 


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Why?

Eu queria te dizer alguma coisa agora. Não dá, não dá... Eu preciso de um pouco de ar, por que agora estou sem, há alguma coisa no meu peito que aperta meu coração e me angustia. Mas deve ser uma saudade... E pode ser muita coisa que não sei lhe dizer ao certo...
Eu me sinto agora nauseada, há muitas borboletas no meu estômago... Eu não quero falar com ninguém... Estou com medo... Medo, muito medo de ter meu coração partido. Medo de não ter mais você por perto. Então por que eu simplesmente te repilo e te trago? Por que você se tornou a única pessoa capaz de me destruir? Por que você e só você tem o poder de me silenciar, de me fazer tremer, de me deixar tonta? Por que... ?
Eu perdi o rumo das perguntas... Perdi a linha dos meus pensamentos... Vê a confusão em que me encontro agora?
Mas é engraçado por que todas as vezes que enxergo seu rosto na minha mente tudo volta ao normal, mas só para que eu sinta... E fico muda pelo sentimento que invade o meu corpo alternando em leves e fortes tremores. Quando me deito solitária na minha cama e olho o teto na escuridão do meu quarto percebo o quanto sou indefesa sem você, posso parecer infantil com meus fantasmas, mas eles parecem ser monstros se não tenho a sua mão na minha para me dizer que não há nada que eu possa temer.
Então cheguei à conclusão de que o que sinto por você só pode ser amor, por que de outra forma eu não saberia nomear. Só pode ser amor por que todas as vezes que admito isso para mim mesma, me sinto livre; por que todas as vezes que durmo eu sinto que estou desprendendo doses nada homeopáticas de amor por você – e isso deve chegar até sua alma, eu sei; e também por que todas as vezes que vou passear de tarde e olho para o céu, enxergo uma paz que antes não via – eu sei disso por que olhei teus olhos tantas vezes e a sensação de que eu estava em um lugar que não era a Terra era muito forte; sim, eu te amo, eu te amo, eu te amo. Eu te amo desse jeito. Desse tamanho que você tem. Com esses olhos, esse nariz, esse cabelo, esse cheiro. Esse beijo. Sim, esse beijo que só você sabe dar para me consumir em um desejo tão ardente que não posso ser uma pessoa controlada todas as vezes que toco seus lábios. Suas mãos. Seus braços. Seus carinhos.
Você. Você. Você. Você... Eu respiro você. Devoro seu nome para que o efeito dele em mim seja duradouro. Eu me lembro de tantas coisas, eu me lembro de pequenos detalhes, mas só não me lembro o porquê eu amo você. Só não sei por que fico tão clichê tentando escrever aquelas palavras batidas e que todo mundo tem decorado, para te dizer. E fico tentando desenhar seu rosto nas nuvens dos fins de tarde. E sempre que vejo uma flor me lembro de você como se fosse uma criaturinha tão indefesa que eu deveria cuidar.
Então sem mais nem menos eu te amo. Por isso quando eu ficar tão insuportável de chata, talvez incomunicável, quem sabe nauseada e até tentando brigar com você saiba que é por que estou tão apaixonada que não sei como lidar com a falta que sinto de você ao meu lado. Nem meu violão me agüenta nesses dias; nem o Max que tanto me ama; nem nenhum dos meus bichinhos de pelúcia; odeio as minhas músicas românticas por que elas tomam o lugar da sua voz na minha cabeça. Odeio o mundo. Odeio tudo. Faço birra e beicinho só por que você não está me mimando; só por que eu te quero o tempo o todo.  Então deve ser por isso por muitas outras coisas o motivo de eu te amar, mas quem sabe mesmo?
Eu não sei e cansei de procurar uma razão. Os dias vão tratar de me responder isso... Mas não importa, eu vou mesmo sempre amar você.