segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Café Expresso

Vem cá, sente aqui e tome uma xícara de café. Vamos, olhe para mim e me diga um pouco mais daquilo que seus olhos me falavam ontem. Eu sei, eu sei de seus hábitos que já não são mais os mesmos. Conheci seus distúrbios de pertos, eles também mudaram hoje...
Tudo bem, no momento esse lugar está vazio e o café expresso não vai esfriar – nossa conversa vai tratar de esquentá-lo. Seus olhos? Pousados em mim, em meus movimentos calmos. Sente a calma? Não, você está com pressa... Não fique. Respire um pouco olhe esse lugar todo e continue a conversar comigo sobre o que você não queria falar, sobre o que a vida não queria te devolver – ela não te devolveu ainda?
Não se zangue... O que a vida não te devolveu eu estou trazendo de volta. Sente esse cheiro no ar? É quente e tão doce que me faz sentir conforto, como um abraço em dias frios de chuva que aquecem o corpo, a alma e o coração. Toque minha mão, não tem problema, você vai descobrir que eu sou tão simples quanto o desenho estrutural das fadas. Mas, mais simples do que eu é você com a engenharia dos contos que eu já li.
Fique só um pouco mais e descubra o quanto de mim você já tem hoje. E amanhã, um pouco mais até que, por fim, serei sua, serei seu calor e bem melhor do que o café e a conversa de hoje. Já pode sorrir mais agora? Sim... Eu aprecio teu sorriso, por que ele me faz sentir leve, assim como quando alguém sussurra ao meu ouvido quando estou quase dormindo “Eu te amo”. É tão simples, é tão natural...
Essa música que soa agora é mais bonita hoje do que ontem. Lembra de ontem? Você já estava mais dentro de si e me dizia coisas na linguagem de pensamentos – eu te lia, te respondia em lenços de papel e leves sorrisos. Alguém entendia o meu inglês também – eu entendia o seu eu devagar.
Daqui a pouco nos levantaremos e sairemos por essa rua cinza e fria, a lua irá nos amparar. De noite na sua casa nada de café, só você, eu e a conversa que o amor nos preparou – aquele beijo afogado e tímido. O seu beijo preguiçoso colado no meu beijo lento, o seu gosto de morango o meu sabor de menta forte. Nós em uma só música, em um só corpo na união desse amor. Depois eu diria que te amo e depois você me abraçaria, dizendo que me ama sem esforço, sem dias ruins, sem lembranças do que foi a tua vida – eu já havia esquecido a minha para lembrar só da sua existência.

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