domingo, 25 de dezembro de 2011

História de amor entre um tapado e uma brutamontes


Ela treinava kung fu, fazia capoeira, era atlética e adorava uma boa briga. Todo o dia corria 2 km e depois corria para a faculdade. Ninguém se metia com ela. Era o protótipo da mulher independente, destemida e sem lei – nenhum homem colocava freio nela. A própria Julia jurava que jamais se apaixonaria. Tolice. Preferia viver sozinha a ter que aturar um idiota que bebesse, jogasse futebol e tivesse aquela barba horrorosa espetando o rosto delicado que tinha, embora não aparentasse em nenhum momento tanta suavidade.
J. Era assim que costumavam chamar o cara mais nerd e atrapalhado daquela empresa. Ele construía computadores, programava e hackeava até o melhor dos hackers. Nos fins de semana, sentava no sofá mais macio do AP apertado com um pote de sorvete de chocolate com passas e jogava God Of War, Legendary Of Zelda, Need For Speed e muitas outras porcarias. Não tinha vida social, além do Facebook. Era o melhor aluno do curso de Ciência da Computação e ainda queria fazer Engenharia Elétrica – respirava matemática, mas não amava ninguém por que sua nerdisse, seu comportamento de E.T., suas síndromes de M.B.M.O. (Mulheres Bonitas Me Odeiam) o atrapalhavam em seus romances catastróficos. Apesar de tudo, era um cara coração.
Julia fazia seu treino habitual pela manhã pensando nos trabalhos e seminários. J. de Jacob, fazia vinte e cinco coisas ao mesmo tempo no computador. Um dia de chuva e sol, poças de água suja e um clichezão de filme de comédia romântica, Julia estava esperando seu ônibus, irada por estar molhada e atrasada para a faculdade. Do seu lado, um estranho de óculos redondos iguais aos do Harry Potter esperava um ônibus para ir trabalhar enquanto pensava em um terrível cálculo de matemática que jurava ele que seria sua namorada, mas por enquanto estava difícil de conquistar.
Nem um nem outro percebia ambas as presenças. E muito menos que seus corações solitários e tão decadentes quanto à melancolia daquele dia que chovia e irradiava de brilho pelo sol, estavam conectados até as últimas células de suas almas. Fosse por que nenhum queria se apaixonar ou por que sentiam que era só mais um dia não se olhavam. Não se queriam. E muito menos pensavam em virar a cabeça.
Tudo era tão perto... Às vezes a gente até reclama que tudo demora sempre, o amor não existe e bla, bla, bla.
O ônibus chegou tão lotado que os passageiros estavam em cima do teto. Eles soltaram um audível “Isso é um saco”. Julia ainda disse um palavrão que assustou o cara do lado. O Jacob. Os óculos dele até ficaram tortos quando ele olhou aquela criatura encantadora ser tão grossa. Ele pensou que ela seria perfeita. Deu um sorriso de otário e tentou concordar com a moça. Julia voltou sua atenção para o celular e olhou as horas. Jacob até tentou articular uma frase, mas sua síndrome atacou de vez, por que ela era muito mais bonita do que as outras.
Julia espiou de lado e viu um panaca molhado com um sorriso estranho nos lábios, uma barba serrada, óculos redondos e um tom de vermelho espalhar pelo rosto do cara. Ela deu outra olhada. Piscou a água. E olhou de novo. Respirou fundo e disse que preferia correr. E foi o que ela fez. Ela correu. Mas foi de medo.
Entre um vai e volta do mundo, encontramos as respostas de nossas almas envelhecidas. E nossas saudades mais absurdas são dissipadas quando nossos corações alojam o amor. E se você entender que o precipício é apenas uma parte do caminho, seu medo será muito pior – a não ser que você se lembre que não há nada que o amor não cure. E perdoe. Remedie. Destrua. Renasça. Renove.
Julia se lembrou durante muitos dias o carinha do ponto de ônibus. Jacob desenhava o rosto dela com um sorriso gigante. De dia, ela corria, estudava e treinava; de noite, ele jogava e sonhava acordado. No trabalho, ele pesquisou por vários lugares alguém que fosse parecida com ela. No treino de kung fu, ela se pegou suspirando enquanto dava o último poderoso soco no adversário. Ele tomou um grande gole de café pensando no quanto ela era estonteantemente linda e harmônica. Chamou-a de “Princesa” para que ela se tornasse real. E ela? Bem, ela preferiu lembrar dele como o “Estranho do Ônibus”.
Em um dia quente, Julia vinha com a mochila em um lado do ombro, fones e um sorvete quase derretido. J. vinha apressado e atrapalhado pela rua, por que tinha uma reunião importante. Mesmas ruas e quase os mesmos passos. Até que um carro veloz que passou por aquele lugar bateu em outro carro e isso atraiu a atenção de todo mundo; J. e J. andavam sem prestar bem atenção em que ia e quem vinha. Trombaram-se com tanta força que deu dor de cabeça. Julia viu a blusa preferida suja de calda de morango – isso a deixou uma fera. Jacob estava tentando se lembrar do próprio nome, quando sentiu uma mão forte agarrá-lo pelo colarinho da camisa.
Os dois se olharam por um momento – mas o punho de Julia estava apontado para o queixo do rapaz. Ela afrouxou a mão; e ele tremeu dos pés à cabeça.
 - Você? – Disseram juntos.
Esqueceram a aula, a reunião e todo o resto do mundo concentrado no acidente. Ninguém se machucou, por que o cara bateu em um carro vazio – só cortou a cabeça e quase saia álcool ao invés de sangue – mas isso era só um detalhe do dia. O dia do acidente. Acidentalmente uma paixão. O meu amor – dizia ele. Só um imbecil – dizia ela.
Mais tarde um café perto do trabalho de Jacob. Uma troca de beijinhos de comprimento. Depois, uma blusa nova e outros sorvetes. Me dá seu telefone. Ah, aqui o meu. Encontraram-se mais outras vezes e um dia, depois de uma luta na academia, Jacob ficou de encontrar Julia suada e descabelada ainda vestida com o kimono. Ela o convidou para acompanha-la até o ponto do ônibus que os separava.
No meio do cinza da cidade, o azul pálido do céu e o frio suave a desculpa dele era retirar uma folhinha do cabelo dela. E por que você se aproximou tanto de mim? A barba serrada fazia cócegas agradáveis e o cheiro dela era de rosas. Jacob repuxou os lábios rosados de Julia e pela primeira vez, ela sentiu-se indefesa e com o coração na mão. Deus até bateu palmas – Jacob cometeu seu primeiro ato de coragem de toda a vida. E Julia, o primeiro ato de medrosa.
E por toda a vida ele viveu nerd e ela perigosa. Ela o amava por ele ser aquele estranho de óculos iguais aos do Harry Potter; e ele, por ela sempre ter sido sua princesa encantada. Quem sabe dizer se viveram felizes para sempre? Mas o fato é que viveram, amaram e continuaram. Um completava o outro até no que eles não queriam. Ele corria de medo das aranhas; e ela não sabia recusar os beijos dele. Mas era ainda muito mais que isso.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Monólogo do Eu




Parece que eu não existo. Que não tenho lar. Que não tenho família. Então por que sinto que existo? Que estou viva? E que respiro?
Disseram-me que eu não sou gente – quase acreditei. Disseram-me que eu tinha quatro olhos, seis braços e quatro pernas. Eu sou a última espécime de algo que nunca existiu. Eles ainda dizem que vão me odiar, cuspir na minha cara e dizer que minha presença assusta e enoja. Mas eu não entendo o porquê, se durante toda a minha vida eu apenas disse que amava alguém.
Alguém apontou para mim gritando “Sua criatura imunda”. Deram-me um tapa no rosto e eu cai no chão. Onde será que estava a minha dignidade, eu não sei... Quis ficar ali. Alguém ainda chutou minhas convicções e outro ainda jogou fora as minhas esperanças – quiseram me matar.
Tentei levantar uma, duas, três vezes. Precisei de força e percebi que só eu mesma podia me dar essa força – não havia ninguém que pudesse fazer algo por mim. Pareço tanto assim que não sou nada?
Olhei-me no espelho e não vi um monstro – apenas uma garota. Só isso. Onde estavam as aberrações em mim? E por que eu seria tão indigna assim? Estava tão cansada que mal respirei. Lembrei que a minha memória não foi perdida e que posso ter consciência de quem meramente sou – e esse ser não é só meramente, ultrapassa as tantas barreiras que eu puder enfrentar. Quem tem mais força do que a minha vontade? Quem mais pode olhar nos meus olhos com verdade? Quem pode ser tão sincero quanto eu mesma?
Entendi que a resposta é ninguém. Ninguém que tenha ódio. Ninguém que tenha maus pensamentos. Ninguém que queira derrubar o mundo com alter ego. Eu estou aprendendo a ser inteligente e ainda estou no terceiro ano da faculdade. Tem quem saiba tanto, mas tanto de tudo no mundo que não sabe ser mais ser humano.
Continuaram a me dizer que eu não sou ninguém. Talvez eu não seja mesmo. E é ainda melhor ser eu mesma do que ser alguém como você. E você pode ser qualquer um.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

All my soul

Ah, mas a minha loucura não poderia ter outro nome a não ser o seu. Eu não poderia ter mais silêncio do que esse que invade a minha alma. Neste momento de beleza interior, me permito uma viagem, onde o rosto que me agrada os olhos, me sorri quando eu chego à casa de meu coração. Há uma música tão calma e suave de fundo, que quando me dou conta é a tua voz chamando o meu nome. Há espaços vazios preenchidos. Há você ali e acolá. Há um semblante tão iluminado quanto o anjo mais sagrado de Deus por aqui. Olhos azuis de paz. E uma ambiência tão calma que me faz querer dormir... E chama-me... Chama-me... Chama-me...
Em um instante que parece um piscar, tens-me como a força que reside nesta casa. Tua luz ilumina o sol. E minhas manhãs. Meu jardim. Quando caminhas por mim, cura meus medos e exorciza meus demônios. Quando eu preciso, sei que vens...
Quem és? Por que és? E tens-me. Com tanta força que mal posso perceber, a não ser quando envolve-me na delicadeza prazerosa de teus braços. Admito. Eu estou absolutamente apaixonada e, por isso, tremo. Tremo, por que só posso estar sufocada de tanto amor.
Arranca esses suspiros e enxerga em meu olhar a minha verdade, por que não sei mais sobre mim... Perdi-me. Aborreci-me. Esqueci-me. E encontrei você. Caminhe comigo por este lugar só nosso dentro de mim... Dá-me a mão. Não larga... Não larga. Agarre-se em mim, por que não tenho mais nada em que acreditar a não ser na tua presença. Não me deixe perder. Não me deixe... Não. Toque em minhas lágrimas e não as leve aos lábios, mas beije-me. Deixe que seja esse encontro poderoso de nossos corpos enlaçados nesse abraço, a resposta para todos os nossos problemas; nossas dores; nossas angústias.
Onde menos te procuro é onde mais te acho. Chegas de repente. E vai embora quando menos quero. É a doçura da tua surpresa que não enfadam os meus dias, que me preenchem as alegrias... Teu cuidado. E o sorriso largo. Tenho certeza de que Deus o fez para mim – toda essa santidade humana só pode ser uma benção. Ajo egoistamente para que eu possa segurar-te, mesmo sabendo que teu amor é meu. E mesmo que eu não saiba tão bem de mim, você traça um mapa dentro de si para me conhecer ainda mais todas as vezes que eu saio do meu eu. E meu eu é o seu eu. Por que eu também sou você. E mesmo que o espelho se quebre, aquilo que nos dedicamos em sintonia colará todas as vezes.
Eu posso caminhar anos e anos nessa casa e jamais encontrar o fim. E se você estiver ao meu lado, prometo que jamais construiremos um final. Apenas colocaremos um breve ponto para um novo começo, assim como o dia de hoje termina para amanhã começar. Somos metade de uma resposta e nossa união, toda ela. És minha verdade mais íntima, mais profunda e mais absoluta – tanto quanto o amor que pulsa desvairado a cada instante que olhas para mim arrancando arrepios gélidos. Mas não posso dar mais continuidade do que isso... Contudo, fica com isto: eu te amo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

E se você amasse tanto uma pessoa e desse sua vida por ela?
E se você amasse tanto, tanto, tanto...
E tivesse que viver segurando isso para sempre?
E se o pedaço do céu fosse saborear aos poucos esse amor?
E se você chorasse muito de vez em quando...
E se você mal lembrasse e demais sentisse?
E se você tivesse que segurar a mão de Deus, mas mesmo assim ainda a amasse...
E se você...
E se...
E se amasse...
E se ama...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Eu


Não sou o que você pensa que sou. Não sou o que eu vejo. Nem o que
quero. Quem sabe o que sou? Ninguém. Eu finjo, assim como você, que sou o que quero e uso máscaras - às vezes verdadeiras, mas ninguém acreditaria se visse - sou a mesma quase todos os dias. E você. Você é a mera projeção do nada. E eu. Eu. Eu sou um ser indefinível. Feita de indagações. Não sou respostas, sou questionamentos. Não me venha com meias verdades, não me mostre meias palavras. E mais uma coisa que precisa saber: nunca pense pelo óbvio. No meu álbum, apenas fotos. Nos meus olhos, um "eu" mais profundo que a sua vã filosofia precede.

Caroline Pessoa, por ela mesma.

Diz-me

Diz-me. Diz-me que tenho uma vida e que queres vivê-la.
Diz-me que estará aqui logo ao amanhecer e me trará qualquer presente insignificante, para que eu possa apreciar.
Diz-me. Só. Diz-me: amor. O que diz-me? 
Diz-me que vai e que voltará a cada novo começo, em cada fim de tempo.
Senta. Aprecia-me. Olha-me. Afaga-me. Com tuas mãos, toma-me e esmaga meu coração na mesma velocidade que destruo o teu.
Dá-me teu amor e diz-me: Eu te amo. 
Mente para mim que vai embora e depois volta de olhos marejados de arrependimentos.
Então, diz-me com sinceridade que não irá deixar-me. Canta para mim. Enrosca-me. Ama-me.
Diz-me... Apenas... Em meu ouvido... O que queres?
Se queres, fica. Senta. E diz-me para onde vais, por que para onde fores será também o meu caminho.

                                  
                                                        (Caroline Pessoa)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Medos e espelhos



Ter medo me limita, aguça meus sentidos e me deixa na fronteira entre o humano e o animal. Do que tenho medo? Por que essa reação tão profunda? Qual o motivo dos pêlos eriçados, da taquicardia e da respiração ofegante?
O medo. De onde? De quando? De quem? De nada. Pequenos ruídos, imagens no espelho, reflexos, fantasmas, rostos distorcidos e corações despedaçados. Ter medo me faz sentir igual a fera acuada, fico nervosa, suor gotejando, sentindo e vendo até o que não existe, ouvindo vozes de ninguém, esmurrando o vento, pulando com o barulho do portão.
O medo me fez subir na árvore mais alta, só não me ensinou a descer, mas para isso deverei passar por mais um terror.
Eu vi! Eu vi! Um rosto ali – não era nada, só minha sombra. Pára! Eu senti! Oh, céus é a brisa da noite...
Eu tenho mais medo de noite do que de dia. Talvez seja por que de dia tudo é mais claro, coerente, nítido. De noite tudo se transforma e o mundo de Bob não é tão fantástico assim. Tenho medo de admitir que tenho medo, por que assim, ficarei mais vulnerável. Mantê-los-ei sob 7 chaves e ninguém os verá a não ser que olhem bem meus olhos.
Mas eu não tenho medo de você.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Carta





Bom dia;


Amanheceu. Incrível como o dia amanheceu tão belo - embora a tempestade que chega seja da cor de teus olhos castanhos. Eu observei devagar enquanto pisava a relva que guardava ainda o orvalho. Acordei cedo para respirar as primeiras horas do ar puro do dia e, então lembrei de uma frase de Clarisse "Mas quando estou com uma pessoa verdadeira, fico verdadeira também". Esse é um começo ridículo de uma carta... Arranquei um pedaço de folha de um caderno qualquer para lhe dizer meia dúzia de palavras normais e cheias de plurisignificação, onde você é a única pessoa que pode compreender o sentido desses escritos.
 Eu estou apaixonada. Talvez deva ser por isso, quem sabe.
Poderia dizer "Obrigada Deus"
Deus sabe. É, e está cansado de saber também, por que depois das 3.265 vezes (ou mais) que disse "Obrigada, eu tenho um amor" a mensagem deve ter ficado bem gravada. É engraçado falar assim, por que pareço criança que acabou de ganhar o brinquedo mais legal do mundo - mas você não é brinquedo. Você é você
Peguei o carro e sai por ai, inspirada, totalmente despreocupada se ainda estava com meu pijama de coelhinhos e as pantufas cor-de-rosa. Parei em algum lugar e  sozinha, caminhei longamente por uma estrada iluminada, olhando as borboletas brincarem  com as flores e pensando no quão melancólica eu estava por ter saído de perto de você. E foi difícil lembrar de você saindo por aquela porta... E foi ruim o bastante pensar na noite em que ficamos um longo tempo no mesmo abraço; e no amanhecer do dia, no entrelaçar de pernas; em teu coração batendo contra o meu; teu corpo pulsando em mim; tua boca vermelha; tuas mãos... Você. Foi difícil, por que senti seu gosto na boca e ele ainda não me abandonou, porém o meu corpo não consegue ainda guardar o seu calor, ele está frio e frágil precisando de você. Eu sinto saudade, amor...
Mas sabe, quando eu me lembro da luz que sua alma emana através de seus olhos, consigo me sentir confortável... A lembrança do seu rosto paira na minha mente e me faz pensar em mil coisas para fazer ao mesmo tempo: escrever para você, te ver, te beijar... Etc.... Etc... É engraçado esse momento agora... Preste atenção: olhe como as minhas palavras soam tolas! E são tão, tão, tão... Uuuuff... [suspiro]... Tão espalhadas, sem nexo, estética... 
Mas eu queria escrever e por mais ridículas que sejam as minhas palavras, eu queria escrever só para contar besteiras do meu dia, que saí de manhã bem cedo e estou sentada no banco do meu carro ouvindo "Espatódea" com um pedaço velho de papel e uma caneta quase no fim; para dizer que penso em você e que morro de saudade me sentindo acabada toda vez que você tem que ir para casa. Eu sei que amanhã você volta... Eu sei que amanhã você ainda vai me amar [não vai?]... E sei, ah como sei, que meu coração vai ser mais feliz a cada dia que você tocar a minha campainha, sentar para tomar um café e me divertir com suas histórias engraçadas. Entre uma boa gargalhada e outra ficarei perdidamente apaixonada, depois meio minuto de olhares e leves rubores na sua face que ofusca minha pobre visão, ficarei encantada... Tocada... Emocionada. 
Eu te amo - e isso é uma verdade interior. 




domingo, 29 de maio de 2011

Meu eu salvador

Tudo o que eu desejo é que nos livremos daqueles amantes incompletos que vem e vão, e que não sabem o significado de uma respiração sua para aqueles que os ama tão incondicional e platonicamente. Tudo o que quero é que nos livremos desta única concepção que temos, de que só eles nos farão felizes, como se não houvesse outros olhos, outras bocas e outros braços ávidos e prontos para nos olhar, beijar e abraçar. E desejo que paremos de nos iludir com os livros e histórias que outros quaisquer povos queiram viver, e compará-las com a nossa própria história: ela é única, e só nós poderemos vivê-la. Eu desejo, pois já sei que vivemos as mesmas coisas, desejo que se livrem da rotina, porque é isso que acaba com toda a fé no amor. Desejo que se aproveitem do seu olhar que não se encaixa mais ou nunca se encaixou nesta vida a dois, para ressuscitaram aquilo que talvez jamais tenha sido vivo para muitos: o amor puro e diferente, o amor Deus, o amor cola, o amor experiência, o amor inquebrável e indestrutível, o amor de aço, das borboletas no estômago, dos olhares reconhecedores, dos ares mais puros, do mundo mais cristalino, da devoção e da bondade. Aquele amor que faz com que você entenda que finalmente você achou seu lugar na Terra, e fez você entender porque você esteve ali o tempo todo. Desejo que nós possamos desejar a estas pessoas que elas vivam e que nos deixe viver por nós, para sempre, sem que elas nos amem egoistamente, nos cobrando para elas e nos fazendo sofrer, pois para elas o que importa é que sua decisão finalmente seja tomada, independente da dor que nos causa. Independentemente do fato de que no processo, nossa carne seja dilacerada , nossas esperanças sejam perdidas, e paremos finalmente de acreditar que tem amor para nós. Só precisamos voltar, entender o sentido final das palavras, essas que alguma vez nos foram ditas por alguém que saberia seu futuro significado, e nós guardamos ali, por tanto tempo que as tornamos camufladas, mas não imperceptíveis. Só precisamos nos concentrar, pois não existe zona de conforto, literatura, ou certeza perfeita que valha a pena correr o risco de parar de acreditar que temos até o limite do mundo para ganhar o amor.  Temos amor de todas as vidas, temos amor de todos os lados, e podemos sim, fazer o melhor com o que temos nas mãos. E desejo que este seja o último texto que vocês lêem com sentido em se tornar pessoas independentes de seus amores platônicos e egoístas, fazendo com que de fato ele faça efeito em você.  Por que não há ser humano que não resista a uma boa dose de sinceridade irônica a arrogante para se tornar um pouco salvador de si mesmo.
Meu eu dramático.

Por Kaline Lígia [my sister]

domingo, 22 de maio de 2011

Amores de outrora

Sabe... Assim, eu estava cansada. É, eu estava tão cansada de andar pelas mesmas ruas empoçadas, de olhar para o mesmo céu, ver o mesmo dia e fazer as mesmas coisas que eu me cansei da tranqüilidade estúpida de acordar-e-dormir do mesmo jeito. Todos os dias, depois do meu café das quatro da tarde eu saia terrivelmente calma e ia para aquele lugar secreto que eu tinha só para mim, para pensar e repensar nas mesmas notícias do meu jornal surrado – eu ouvia aquelas músicas melancólicas sem sentir nada.
Eu estava cansada de me sentir vazia e solitária, de ser eu e de gostar de ficar presa no mesmo lugar de sempre. E acho que em um dia desses aí quando eu estava sem fazer nada de mais interessante depois de ler meia dúzia de textos que não me deixaram mais viva, refiz o meu caminho e recontei meus passos para ver se era mais interessante perder um pouco do meu tempo de sobra. Acho que um lampejo de luz tragou imediatamente minha curiosidade absurda – era óbvio que eu precisava de algo que me impulsionasse e, sem pensar, olhei diretamente nos olhos daquele rastro de luz.
Você caminhava tão lentamente quanto eu. Ah, é um clichê dizer que você estava exatamente igual a mim, nas mesmas condições de espírito, quem sabe, e até tão solitária e irritantemente refazendo o próprio caminho. Dizem que duas almas especiais são devastadas antes de se encontrarem, para que os campos de seus corações cinza se encham novamente daquela magia renovadora do amor meigo e infantil entre duas pessoas completamente conhecidas e sem rastros de memórias de ambos os rostos.
Verdade. Eu devo ter te encontrado em pé de igualdade. Mas quem sabe? É, quem sabe se você não concorda comigo?
- Ei! Pára! – Gritei confusa para você.
- Hum? – Você me olhou de um modo vívido e curioso, indo embora sem mais palavras.
Eu sei que nesse momento você deve ter sentido a mesma pontada invisível que passou bem rápido na alma. Não sentiu? Ah, eu sei que sim. Eu sei por que no outro dia eu sai de propósito para saber se você estava por ali, e então, ao te ver eu só disse “Boa tarde” e você sorriu lindamente em resposta e me deu uma estranha vontade de ouvir “I Love You” de Celine Dion e sair cantando um pedacinho do refrão “I love you, please say ‘I love you too’”. Também clichê – mas nada é como Sweet November, nem nosso romance, por que nada é igual e nós somos criaturas muito criativas para isso.
Eu sei. Todo caso de amor é clichê – e há alguns verdadeiros. E de novo eu voltava para te ver e, talvez até você também fosse para o mesmo lugar para me ver. Permiti me iludir, por que acreditei que a força do meu pensamento me traria você. Claro que depois de alguns encontros, de uns “Ois”, sorriso ali, conversas, pequenos abraços, um beijo no seu rosto e outro no meu a gente se define melhor. Uma tarde de filme romântico do jeito que você gosta e o meu coração que sente precisar, pipoca quase queimada, guaraná gelado, uma chuva mais gelada ainda e a coragem de se jogar na piscina do condomínio em plenos relâmpagos e trovões eu te olhei daquele jeito – não clichê – que toca meu coração e sem querer - é foi sem querer – me apaixonei pela trilionésima vez por você. Ai, eu acho que fiquei tão caída, que me senti como uma mulher indefesa frente a frente com um enorme abismo que ainda será descoberto. Mas eu não sabia que eu podia me apaixonar. Quis tomar um gole do meu café forte para esquentar o frio interno do meu corpo quando te vi tão inocente, na hora em que teu olhar encontrou o meu quase que por engano e aquela luz humana me deu fé para acreditar novamente. Eu quis me esquentar por que eu tremia por dentro por querer te ter e tive medo de tocar sua mão roxa de frio também – eu sabia que você também precisava de mim.
- Quer vir dormir comigo hoje? – E senti a inocência daquela pergunta sem nenhuma vontade de cometer mais do que aquilo.
- Claro – Outra resposta sem palavras melhores...
“Não há de ser nada” foi o primeiro pensamento que me ocorrera. Você me queria também. Mas queria a minha presença para sanar teu medo de solidão – e eu te daria isso mil vezes se preciso fosse, para que eu também não morresse de solidão. Uma conversa franca sobre nossas convicções, sanduíche de queijo, roupas de dormir e a timidez de estar no seu espaço sentindo o cheiro da sua presença única. Nós combinávamos como as estrelas combinam com suas luzes – tínhamos a mesma essência na alma.
Depois que me deitei na cama próxima a sua, fiquei te olhando no escuro e senti outro medo importuno. Mas não quis ultrapassar a barreira de dois lençóis que estavam entre nós – você teve que ter mais coragem que eu para inventar uma desculpa de ah eu estou com frio, para retirar a pequena barreira e nos cobrir com o mesmo lençol. Para chegar mais perto, para conversar comigo bobagens e me distrair de sua mão que segurava a minha, migrando para o meu cabelo transformando a brincadeira boba em carícias, afagos e cafunés com perigosas chances de me deixar completamente atormentada de sentimentos. Aquele frio interno me invadiu outra vez e fez tremer meus ossos; suas pernas condoeram-se dos meus calafrios espasmódicos e quebraram as minhas próprias regras de “não ultrapasse tanto”. Eu tive medo que você quisesse só a minha amizade e não quis pensar em nada a não ser na sua tentativa de me deixar mais confortável, se suas palavras sussurradas ao meu ouvido não tivessem tido o efeito contrário: me deixar tentada a te beijar nem que fosse o último e pior engano que eu tivesse cometido na minha vida toda.
E tentar, a gente sempre tenta. Eu tentei. Eu tentei mais ainda por que eu te quis... E eu te quis tanto, tanto, mas tanto que por um momento enlouqueci e perdi a linha do pensamento por provar dos longos suspiros que o seu querer dava ao retribuir com tudo o que tinha o meu beijo. Continuei a te querer por que sua humanidade é respirável, e por que sua luz é grande, por que seu coração cabe no meu – você se encaixa em mim e não deixo de me espantar por isso.
Quem é você?
Eu nem sei se te amo. É uma psicose ficar me perguntando... Esquece, deixei para lá por que voltei a me importar com os dias, com as nuvens, o céu, as músicas (eu baixei novas e dentre elas, as suas preferidas). Voltei a escrever e o passado... Meu passado ainda me dói, mas você é como uma salvação que está limpando a necrose do meu coração – me faz gostar de ouvir coisas antigas e românticas, me faz sentir disposição de levantar às cinco para ver o nascer-do-sol, de escrever mensagens secretas no celular para te mostrar depois. Andei ouvindo até Whitney Houston...
Não sei o que pensar de você, por que meu pensamento exige uma complexa organização e agora, depois que encontrei a parte importante do quebra-cabeça preciso de um tempo para organizar minhas peças. Só sei até agora que você é a chave perdida que acabei de encontrar e devo fazer o favor a mim mesma de guardar cuidadosamente no meu cofre mais secreto: dentro do meu coração. E do fundo do meu coração – ou como você diria, do fundo do meu encéfalo – eu te quero sem nem pensar se esse tempo será para sempre ou não, sem pensar em um limite, uma validade. Só nas palavras “eu quero você” que não têm um fim nelas mesmas. Você. Te. Quero. Tá? Te quero.
Hoje, andamos de mãos dadas para apreciar aquele lugarzinho só nosso... E não quero pensar em mais nada só para estar com você – e isso já dá muito no que pensar. 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Decifrações

Por hoje eu caminhei por vários lugares de mim, mas não pude me encontrar. Senhor, se tu ouves minhas preces hoje, diga-me por qual caminho devo ir, e irei. Eu não sei por onde começar... Talvez devesse ler meus próprios pensamentos com maior precisão. Talvez devesse buscar um fio de esperança. Talvez não devesse fazer nada.
E se fizesse, que meu anjo me buscasse em teus braços e carregasse-me pelos céus; eu poderia sentir-me mais segura. Nessa segurança eu poderia sentir-me mais divina, por que uma luz completa a outra. Eu aprendi que não posso viver sozinha, não posso ignorar a luz alheia; na verdade eu preciso de outras luzes, de mãos, de guias, de amores. De pessoas. Lugares. Dias. Semanas. Anos.
Por hoje, desse dia cinza sem o gosto do meu café forte, só há frio e uma música melancólica sobre anjos que toca distante dessa sala. Somos apenas um papel, caneta, meu coração e eu nessa imensidão de coisas para dizer a todo mundo e a ninguém. Quem lerá? Ou escutará? Ou sentirá a pressa que sinto? E as preces. Ah, estas ficarão guardadas no meu inconsciente por que Deus irá buscar-me hoje, e falará comigo quando eu estiver despida de todas as incoerências da alma. Ele saberá onde deverá tocar-me.
O tempo todo que me busco, vejo o quão cheia de caminhos e fantasias sou composta. Minha condição de humana; minha condição de alma; minha condição de coração humano. Eu sei que desse turbilhão de sentimentos não correlacionados, não explicáveis e sem nenhuma interpretação, posso resgatar alguma coisa chamada de minha essência.
Deus sabe onde moro. E por isso, não temo ir a lugar algum. 

sexta-feira, 25 de março de 2011

O que eu não sei

Às vezes eu procuro algum motivo para não ficar aqui. E tento dizer para mim mesma que nada é tão importante, que não posso permitir abrir portas. E não quero ficar. Não devo. Mas quando te olho eu perco a graça e me sento entretida a te observar como se fosse uma criança apreciando uma criatura encantada. Eu me calo. Você dorme como um anjo. E eu me calo muda de sentimentos. Não ouço sua voz. Não enxergo seu físico, mas tua luz infantil. De dentro de você sai as mais belas pinturas; não quero mais fugir - eu quero ficar para te ver...
Você é ainda uma incógnita selvagem; já tentei quebrar teu segredo tantas vezes que meu machado quebrou. Só me resta uma saída: esperar o tempo passar. E quanto mais o tempo passa, mais eu gosto de você - sem querer, sem compromisso, sem perversão, sem nada... Só meu coração cansado que se iluminou quando viu teu sorriso crescer para mim.
Eu diria que é salvação. Mas é muito além - talvez Deus, quem sabe. Ou só você e alguma coisa a mais. Dormindo? Sorrindo? Olhando? ... Eu não sei, eu não sei...
Mas em um acaso qualquer você me sorri; em outro fecha seus olhos para mim. E sem nenhum segredo eu sangro gota por gota...
Você sabe, sei que sabe - eu não te guardo segredos, te mostro o que sou e por que ainda fico aqui sentada desejando tocar teu rosto - eu não quero me contentar com fotos, com palavras ditas à quilômetros de distância...
Talvez você tenha entendido ou não, porém a verdade é: eu quero você.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Era uma vez...



http://www.youtube.com/watch?v=i1GmxMTwUgs

Era uma vez uma menina. Não uma menina comum, dessas de se ver no meio da rua. Mas uma menina com um sol no sorriso e estrelas nos olhos grandes. Era uma vez essa menina pequena dando os primeiros passos com covinhas no rosto sorrindo para Deus e o mundo, tão linda de vestido e sapatinhos vermelhos, tão santa na sua inocência quanto os anjos. Ela caminhava pela estrada de mãozinhas estendidas para o alto tentando alcançar as borboletas, mas elas voavam mais alto que sua estatura de anjinho infantil podia atingir. A menininha passava por algumas flores, passava por algumas pedras verdes ou azuis, tocava a terra, mas não podia alcançar o céu. 
Era uma vez uma garota de cabelos negros ondulados, com um sol no sorriso e estrelas no olhar. Não como essas garotas que se pode classificar de comum, mas uma dessas garotas que não se encontram nas capas das revistas, nem nos contos de fadas, nem nas ruas, nem em lugar algum. Era uma vez uma garota como essa, especial e tão delicada que não se podia contentar-se só em olhá-la. As flores queriam tocá-la, as pedras azuis e verdes queriam segui-la, a terra seria seu tapete e as borboletas voavam baixinho; e quando ela queria, estendia o braço e as borboletas vinham pousar nele. Era uma vez essa garota que mantinha uma covinha no rosto de tanto sorrir para Deus, o mundo e para as borboletas. Um dia a garota passava por uma árvore e quis deitar-se ali naquela sombra tão convidativa. A garota olhou para o céu e desejou tocar as nuvens, estendeu o braço, mas por mais que tentasse ela não conseguia, por que as nuvens ficavam a uma distância maior do que sua média estatura poderia alcançar. Então a garota adormecera sonhando que um dia poderia tocar as nuvens.
Era uma vez uma linda moça, garota ou menina. Essa moça ou garota ou menina, como queira, não era como essas moças ou meninas ou garotas que se encontram pela vizinhança. Era uma menina com olhos nas estrelas, uma garota com sorriso no sol e uma moça que brilhava. Essa garota, moça ou menina acordara de um sono meio profundo meio acordado - sim meio acordado. Sonhou que caminhava por uma estrada onde as flores queriam tocá-la, as pedras azuis ou verdes queriam segui-la, a terra ser o seu tapete e as borboletas brincarem de estátua no seu cabelo. A menina ou garota ou moça espreguiçou-se longamente, olhou para os lados e viu a tarde caindo. Escorou-se em uma grande árvore e ficou contemplando o pôr-do-sol com imensos raios dourados que se lançavam no infinito do céu laranja-dourado. A garota ou moça ou menina encheu seus olhos de estrela-cadente com a visão. Desejou andar até o sol e tocá-lo, mas não podia por que o sol ficava muito mais distante do que as borboletas, o céu e as nuvens. Então menina que podia ser moça ou, quem sabe, garota abrira um sol de sorriso tão caloroso que o pôr-do-sol e os imensos raios dourados buscaram aquela radiância de cristal. E então, todo o céu ficou misturado de laranja, dourado e cristal. Aquela moça talvez menina e por que não garota ficara encantada com o que podia fazer com seu sorriso, e então desde aquele dia, a garota, sim era uma menina, é claro era uma moça, continuou no seu caminho de sol e sorriso. De borboletas, de pedras azuis e verdes, com o tapete de terra, de cheiros de flores. De tarde a moça, concordo, menina, portanto, uma garota sorria para encontrar o pôr-do-sol e os imensos raios dourados, misturando-se ao laranja do céu e o cristal do seu sorriso. De noite, a menina seguia as estrelas-cadentes, olhava Orion e adormecia com as Três Marias. 
Um belo dia, um anjo desceu do céu e viu aquela forma tão infantil, mas tão adolescente e com detalhes tão adultos. O anjo olhou-a dormir calidamente. Observou-a em seus sonhos, em seus medos e talvez estivesse sempre observando-a durante toda a caminhada daquela criaturinha que não se encontrava por aí. O anjo tocou o rosto da garota e a menina acordou. Atônita a moça assustou-se com o anjo, mas para acalmá-la o anjinho sorriu e disse "Calma, tenho te observado durante muito tempo. Quer vir comigo?". A moça perguntou a menina se era bom a garota ir com o anjo. Então a menina disse "E para onde você me levará?". O anjo sorriu doce e disse "Te levarei para tocar o céu, as nuvens e se aquecer no sol". Aquela oferta parecia ser todo o desejo da moça, mas a menina sentiu medo e garota respirou fundo. Para tomar uma decisão daquela era preciso muita inocência, muita criatividade e muita responsabilidade. Garota, moça ou menina, ela aceitou. O anjo pegou-a pela mão e abraçou-a. Abriu as enormes asas e a levou pela imensidão do céu.
Então todas as manhãs o anjo e a menina-moça-garota ou garota-moça-menina voavam para tocar as nuvens; às tardes a menina e o anjo ficavam com o pôr-do-sol e os gigantescos raios dourados, misturados com sol cristalizado no sorriso da menina; à noite o anjo e a menina voavam até as estrelas, viajavam nos cometas, brincavam com as cadentes e atiravam pedrinhas na lua até a menininha adormecer nos braços do anjo, com uma inocência tão santinha e angelical que emocionava- o. 
Amanhã ela seria uma mulher, com uma vida e com todos os sonhos que podia ter. Por que ela não era a menininha comum, dessas de se encontrar por aí, mas uma menina com um sol no sorriso e estrelas nos olhos grandes; que dava os primeiros passos; os primeiros beijos e jamais parava de sorrir. 
E eu. Eu. O anjo. Eu o anjo amava aquela menininha, protegia-a, cuidava-a. E sabia que dali para frente ela seria feliz. 


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Why?

Eu queria te dizer alguma coisa agora. Não dá, não dá... Eu preciso de um pouco de ar, por que agora estou sem, há alguma coisa no meu peito que aperta meu coração e me angustia. Mas deve ser uma saudade... E pode ser muita coisa que não sei lhe dizer ao certo...
Eu me sinto agora nauseada, há muitas borboletas no meu estômago... Eu não quero falar com ninguém... Estou com medo... Medo, muito medo de ter meu coração partido. Medo de não ter mais você por perto. Então por que eu simplesmente te repilo e te trago? Por que você se tornou a única pessoa capaz de me destruir? Por que você e só você tem o poder de me silenciar, de me fazer tremer, de me deixar tonta? Por que... ?
Eu perdi o rumo das perguntas... Perdi a linha dos meus pensamentos... Vê a confusão em que me encontro agora?
Mas é engraçado por que todas as vezes que enxergo seu rosto na minha mente tudo volta ao normal, mas só para que eu sinta... E fico muda pelo sentimento que invade o meu corpo alternando em leves e fortes tremores. Quando me deito solitária na minha cama e olho o teto na escuridão do meu quarto percebo o quanto sou indefesa sem você, posso parecer infantil com meus fantasmas, mas eles parecem ser monstros se não tenho a sua mão na minha para me dizer que não há nada que eu possa temer.
Então cheguei à conclusão de que o que sinto por você só pode ser amor, por que de outra forma eu não saberia nomear. Só pode ser amor por que todas as vezes que admito isso para mim mesma, me sinto livre; por que todas as vezes que durmo eu sinto que estou desprendendo doses nada homeopáticas de amor por você – e isso deve chegar até sua alma, eu sei; e também por que todas as vezes que vou passear de tarde e olho para o céu, enxergo uma paz que antes não via – eu sei disso por que olhei teus olhos tantas vezes e a sensação de que eu estava em um lugar que não era a Terra era muito forte; sim, eu te amo, eu te amo, eu te amo. Eu te amo desse jeito. Desse tamanho que você tem. Com esses olhos, esse nariz, esse cabelo, esse cheiro. Esse beijo. Sim, esse beijo que só você sabe dar para me consumir em um desejo tão ardente que não posso ser uma pessoa controlada todas as vezes que toco seus lábios. Suas mãos. Seus braços. Seus carinhos.
Você. Você. Você. Você... Eu respiro você. Devoro seu nome para que o efeito dele em mim seja duradouro. Eu me lembro de tantas coisas, eu me lembro de pequenos detalhes, mas só não me lembro o porquê eu amo você. Só não sei por que fico tão clichê tentando escrever aquelas palavras batidas e que todo mundo tem decorado, para te dizer. E fico tentando desenhar seu rosto nas nuvens dos fins de tarde. E sempre que vejo uma flor me lembro de você como se fosse uma criaturinha tão indefesa que eu deveria cuidar.
Então sem mais nem menos eu te amo. Por isso quando eu ficar tão insuportável de chata, talvez incomunicável, quem sabe nauseada e até tentando brigar com você saiba que é por que estou tão apaixonada que não sei como lidar com a falta que sinto de você ao meu lado. Nem meu violão me agüenta nesses dias; nem o Max que tanto me ama; nem nenhum dos meus bichinhos de pelúcia; odeio as minhas músicas românticas por que elas tomam o lugar da sua voz na minha cabeça. Odeio o mundo. Odeio tudo. Faço birra e beicinho só por que você não está me mimando; só por que eu te quero o tempo o todo.  Então deve ser por isso por muitas outras coisas o motivo de eu te amar, mas quem sabe mesmo?
Eu não sei e cansei de procurar uma razão. Os dias vão tratar de me responder isso... Mas não importa, eu vou mesmo sempre amar você. 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Café Expresso

Vem cá, sente aqui e tome uma xícara de café. Vamos, olhe para mim e me diga um pouco mais daquilo que seus olhos me falavam ontem. Eu sei, eu sei de seus hábitos que já não são mais os mesmos. Conheci seus distúrbios de pertos, eles também mudaram hoje...
Tudo bem, no momento esse lugar está vazio e o café expresso não vai esfriar – nossa conversa vai tratar de esquentá-lo. Seus olhos? Pousados em mim, em meus movimentos calmos. Sente a calma? Não, você está com pressa... Não fique. Respire um pouco olhe esse lugar todo e continue a conversar comigo sobre o que você não queria falar, sobre o que a vida não queria te devolver – ela não te devolveu ainda?
Não se zangue... O que a vida não te devolveu eu estou trazendo de volta. Sente esse cheiro no ar? É quente e tão doce que me faz sentir conforto, como um abraço em dias frios de chuva que aquecem o corpo, a alma e o coração. Toque minha mão, não tem problema, você vai descobrir que eu sou tão simples quanto o desenho estrutural das fadas. Mas, mais simples do que eu é você com a engenharia dos contos que eu já li.
Fique só um pouco mais e descubra o quanto de mim você já tem hoje. E amanhã, um pouco mais até que, por fim, serei sua, serei seu calor e bem melhor do que o café e a conversa de hoje. Já pode sorrir mais agora? Sim... Eu aprecio teu sorriso, por que ele me faz sentir leve, assim como quando alguém sussurra ao meu ouvido quando estou quase dormindo “Eu te amo”. É tão simples, é tão natural...
Essa música que soa agora é mais bonita hoje do que ontem. Lembra de ontem? Você já estava mais dentro de si e me dizia coisas na linguagem de pensamentos – eu te lia, te respondia em lenços de papel e leves sorrisos. Alguém entendia o meu inglês também – eu entendia o seu eu devagar.
Daqui a pouco nos levantaremos e sairemos por essa rua cinza e fria, a lua irá nos amparar. De noite na sua casa nada de café, só você, eu e a conversa que o amor nos preparou – aquele beijo afogado e tímido. O seu beijo preguiçoso colado no meu beijo lento, o seu gosto de morango o meu sabor de menta forte. Nós em uma só música, em um só corpo na união desse amor. Depois eu diria que te amo e depois você me abraçaria, dizendo que me ama sem esforço, sem dias ruins, sem lembranças do que foi a tua vida – eu já havia esquecido a minha para lembrar só da sua existência.