sábado, 25 de setembro de 2010

Você


Daquele jeito protetor. Olhinhos apertados. A maciez dos lábios que sobem e descem, desenhando delicados círculos pelos meus lábios. Encaixando cada parte calorosa do beijo, fazendo com que eu trague teu perfume, teu jeito artístico de mover teus olhares, tuas risadas longas, tuas histórias, tua vida.
Desse jeito protetor e cuidadoso. Devagar com os toques, suavemente pegando a minha mão e levando até o seu coração que palpita nervosamente. Eu olho para você e te leio a fisionomia tão mansa, tão branca e tão de paz – eu deveria emoldurar seu rosto.
Tão você em sentenças, em gracejos, em abraços de fortaleza, em beijos compassados que me consomem a carne, os ossos, a alma e até meus arrepios que percorrem a epiderme de meu ser gritante – eu pulso a estes toques belos; eu vibro; eu me remexo.
De leve, sua respiração ora compassada, ora entrecortada me faz embalar nessa tua canção natural. Esta sua voz que é dura, com um acorde de fundo doce, vibra de beleza fazendo um misto de agudo grave perfurando meus tímpanos e limpando toda a minha mente que vagueia em pensamentos desconexos sobre nuvens, céus, rosas, sabor de menta, perfume cítrico e você.
Você tão forte, tão estruturadamente impecável, tão espírito edificado pedra sobre pedra, dos anos a fio de teus desafios, parte escombros, parte construção magnífica de tuas experiências visíveis nesse teu coração revestido do couro da sabedoria dos que sabem que nada sabem e que tudo precisam para viver e sobreviver, nesse mar de confusões que é a vida.
Você ora tão impenetrável e ora tão sensível – de aspecto dúbio que vai do frio ao delicado. Você com esses olhinhos observadores e apertados, linha rígida entre as sobrancelhas, ar de mistério, pose inteligente indestrutível. Tudo tão contemplativo, tão profundo, de uma beleza única e um infinito particular na essência de tua alma.
É assim que acontece quando te vejo; essas leituras, essas tuas características em mim e vice-versa. Tantas palavras, tantas histórias, tantas experiências compartilhadas mutuamente – nossas filosofias intermináveis, nossa grande amizade, nosso grande respeito, a admirável paciência... Afinal, quem é quem?

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