domingo, 21 de março de 2010

A velha, a menina e o pirulito




Havia uma criança que dizia para uma velha que ela ainda podia correr e pular. A velha sorri e vê que pode fazer isso. Mas, também sabe que há um fator X que a deixa prostrada.
Até que a criança pega a mão da velha e sai puxando-a, a velha deixa cair ao chão a bengala e sai correndo. Ela cai e se machuca toda. Mas, a criança sorri e diz “Vamos! Tem um pirulito para nós no fim do caminho!” e sai puxando a velha de novo que sai correndo e sem perceber, ela está começando a se mover rapidamente. Cai e tropeça outras vezes, chora com as feridas e depois levanta, continua sendo puxada e se deixando puxar pela criança e vai reaprendendo a correr, até que não topa mais.
Lá no fim, a criança ganhou o pirulito. Mas, a velha não. A velha ganhou experiência ao passo que a criança cresceu e se tornou de vez, uma adolescente. Uma garota linda e esperta demais. A garota soltou o pirulito, pegou a mão da velha e disse “Agora, você subiu vários degraus de uma só vez”. A velha satisfeita percebia que suas pernas sararam e ela se tornava mais forte à medida que a garota amadurecia. A velha foi mudando para um estado mais jovial e a menina se tornando mais e mais velha, até que chegou a um ponto em que a menina se tornou velha e a velha se tornou menina. A velha que se tornou menina percebeu que amadureceu uma vida toda e percebeu também, que apesar de suas dores poderia continuar e a menina que se tornou velha, virou algo muito mais precioso que a experiência: o coração.
As duas passaram a ser intrínsecas e não mais se separaram, porque a velha que se tornou menina tinha um coração de menina que se tornou velho e ela amava com liberdade. Agora, só faltava voar.

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