sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Carta ao Silêncio

Em silêncio. Em silêncio meu caro anjo... Estou pensando, pensando, pensando - quase chegando lá. Hoje eu amanheci e me perguntei "O que será de hoje?", meu pensamento me disse "Em silêncio. Eu não quero palavras de consolo, eu não quero afagos... Eu quero o silêncio, o êxtase do silêncio profundo."
Quis procurar o sentido de hoje, caro anjo e tudo o que sinto é um silêncio avassalador. O que será que se passa em minha face hoje? Talvez eu já tenha chegado ao ponto do silêncio em que as pessoas me olham e não sabem dizer ao certo se sou jovem ou velha, se estou feliz ou triste, mas saberiam que estou em silêncio, aquele calar profundo da alma.
Eu estou passando pelas calçadas, é tão frio aqui... Não percebi, caro anjo, o que foi que realmente me levou ao silêncio. Ah. Lembrei. Sim, sim... Tolice - sorrio para mim torto no canto da boca. Meus olhos estão marejados? Não. Então posso ser honesta comigo mesma e contigo anjo, até com você alma distante. Pois digo, o silêncio é uma conseqüência ou uma razão ou qualquer ponto alto de reflexão. Do amor? Sim... Amor de quem? Do meu amor. E a pergunta última:  por quem? Por você.
Olhe meus olhos anjo, eles também indicam um silêncio sentido, mais concentrado e até mais bonito - chega a serem tons estranhos de castanho claro e verde, mistura silenciosa. Então, foi o amor que me fez tomar esse rumo... Engraçado meu anjo, eu sinto falta, mas tanta falta que parece haver uma mão invisível que atravessa meu peito e aperta meu coração, prende meus pulmões me deixando sem ar e em seguida, despe minha alma tocando na ferida profunda lá dentro da essência. Eu emudeci.
Vou te contar como. De tanto amar e de tanto amor, acho que devo ter enlouquecido, mas tudo isso é estranho, meu anjo. Estranho por que não sei dizer ao certo se é sábio ser sã ou se é idiotice ser sã. Entende? Não? Nem eu. Eu me perguntei o que era o amor, não obtive resposta; é mais óbvio que o céu amanhecer com o sol e, no entanto, eu não sei descrevê-lo, mas sinto-o vivo, bem aqui dentro.
Tem uma coisa que me deixa perturbada... Eu estou ferida e que me deixou convalescente foi o amor - tudo culpa dele, é por isso que ando calada. Mas se o amor é tão perigoso assim, não deveria andar às cegas e solto por aí. Concordo. E acredita que eu tentei avisar a todo mundo?
Pois é... É aí que mora a perturbação, vou te contar: eu andei avisando a todo mundo que o amor é perigoso e que todos devem ficar distantes dele. É tão letal que parece que vem no vento e inunda seu coração, depois vai embora e você fica sem nada nas mãos, apenas esfacelado por dentro. O amor muda suas concepções, te deixa idiotamente feliz, igual às crianças; é quando você menos espera que ele se vai e te rouba tudo: o ar, a razão, a saúde, a alma e seu coração. Eu afirmo e digo! Não se envolvam com o amor por que ele é tão bom que te enfeitiça, te envolve, embaralha sua mente e suas ideias. Te deixa em choque de emoções tão profundas que seu coração quase não bate de tão pesado.
O amor é tão lindo que faz qualquer um que lute contra ele se enlaçar cada vez mais em suas teias por puro prazer. O amor é tão bom que te faz entrar em contradição consigo mesmo e se perder no que disse...
Eu acabei de me perder agora. Vê anjo? Qualquer um olharia para mim e diria que sou uma louca, posso até me visualizar no meio do nada, falando para uma multidão de ninguém que o amor é proibido e que no fim das contas, todos podem usar e abusar dele. Engraçado, de fato eu estou no meio do nada, olhando para o céu e contemplando todo o paradoxo de mim mesma, do amor, das cores e o que me levou ao silêncio profundo...
É que eu também não tenho mais nada a dizer - e tenho, mas há algo que me faz calar, é ele mesmo: o amor. É por que, é por que, é por que...
Eu não sei. É por que ficou na ponta da língua e não sai mais explicação. É por que eu não tenho mais explicação. É por que eu calei.... E ainda continuo falando. É por que mesmo se eu calar a língua meu coração fala, meus olhos falam...
Anjo! Eu me perdi! Isso tudo está tão confuso, caótico... Mas também foi o silêncio, eu o encontrei em algum lugar. Onde mesmo? Ah, sim de dentro do eu de hoje e hoje eu sou eu mesma de algum modo. Me ajude anjo, estou me perdendo no silêncio e quase não sei o que falo. O que era mesmo? Não, hoje eu não sou eu, sou o silêncio em pessoa - ou sempre fui assim? Mas por que? É só um tantão assim de amor? É apenas eu que perdi-me?
Não tem sentido, são palavras avulsas, pedaços de emoções, meu desabafo, meu amor, o meu amor... Você, meu amor... Você. O que ando tentando construir é o pensamento do silêncio causado pelo sabor meio amargo do amor, está tudo solto, tudo estranho, embaralhado - eu estou desmontada.
O silêncio... Psiu.... Não fale. Fique aí. Me contemple... Eu também estou olhando para você; me vejo em você; você se vê em mim? Sim, vejo a face silenciosa.
Meu amor, eu não quis me entregar, mas me tragaram  você me tragou, toque meu rosto e me reascenda. Eu emudeci...
Hoje eu emudeci e ão tenho nenhuma mão na minha para me puxar desse silêncio todo, estou sendo esmagada pelo peso silenciador do nada! O nada... Você... Não, nada. Eu te amo. Quem? Você. Onde? Bem aqui; meu coração  é uma imagem multifacetada que traz teu rosto em cada parte e reflete-o em toda a minha alma e isso me deixa muda. 
Estou te contemplando, adormecendo e contemplando... Eu fui ao campo... Te contemplando... Dormindo...
Silêncio. Eu te amo.

Incoerência

Escuta. Escuta, eu já disse que hoje passou. Passou, não retornará.  Mas por onde andei eu sabia que não seria bem assim – mas já me perdi. Eram dois compassos, um estava morto e o outro me enganando que viver era bom.
Viver. Lembra o que é viver? O nexo existe? Onde foi parar o eu? O eu... O eu morreu. Eu morri. Renasci. E morri de novo – é uma constância. De novo e de novo estou vivendo e morrendo, renascendo. Preciso quebrar o invólucro de mim, de hoje, de agora – acabei de renascer e tenho medo de olhar para fora. Eu preciso parar de ter medo, mas tenho por que sou humana, sou tão humana quanto a mulher que vejo no espelho: sou eu no espelho.
Eu, ser, matéria, carne, ossos, alma... A alma... A minha alma. Esfacelada, meu amor, ela está esfacelada. Por dentro eu estou deserta, como o deserto da Líbia. Disseram-me que eu teria esperanças e descobri que a esperança é uma ilusão fantasmagórica do desejo de ser, e se deseja ser, se deseja. E se se deseja, se ilude por que a ilusão é uma tolice, mas é doce e se eu entrar nela corro o risco de nunca mais sair, por que a ilusão é um gozo viciante.
Eu estou completamente perdida como se estivesse há muito tempo sem dormir. Eu estou avulsa, ao vento, a mercê das minhas palavras indescritíveis e sem sentido – por que a vida de hoje é sem sentido. É pessimismo? Não. É realidade. E eu sou real, eu sou eu, sou a vida, sou a consciência de mim mesma, sou isso... Sou isso... E isso, sou eu. Meu amor, estou caminhando pelo vale escuro e dentro de mim tudo é escuro, é perdido, é perigosamente abissal; meu coração está ali, ou não. Ele se foi, mas se procura e eu me procuro, estou em busca de mim, da alma perdida, do coração perdido.
Eu me fui. As minhas lágrimas grossas empoçam meus olhos e embacia minha visão, eu quero chorar, mas elas não caem – e não há tortura pior que querer chorar e o bolo cobrir a garganta, empurrando dentro da carne a dor. A dor é cruel, ela me invade os nervos e me faz debruçar sobre o mar da inconsciência neutra do meu eu perturbado. A dor é divina, ela me limpa até os ossos, até os recônditos mais profundos do meu ser perdido – meu eu perdido.
Eu. Eu. Eu. Sozinha em um lugar de ninguém, morta e viva, sinto tanto frio que meus pêlos se eriçam e eu tremo, mas o frio não é externo – é interno como um verme que corrói as carnes do ser. Eu sou tão humana que tenho medo, e tenho tanto medo que sei que vou me viciar no comodismo por ter medo. Para onde fui? Será que o que sou é real em mim? Eu sinto o que eu sinto? Ou sinto o que desejaria sentir? O desejo também é uma ilusão, como toda a esperança também é uma ilusão é uma desigualdade de sentidos, é um nada, uma paz utópica – o desejo me põe medo por que eu sei que me viciaria em desejar, eu desejo desejar, por que já estou desejando.
Será que a chuva fria que bate no meu corpo me dói mais do que a dor da minha alma perdida? A solidão que sinto me deixa a mercê dos devoradores de alma, eu preciso de um lugar, um dia, uma solidão e muitos pensamentos que irão rodear minha mente e pintar meu cenário. O meu cenário é visto como quando eu era criança, modificado sob minhas circunstâncias, meu prazer, meu desejo e ilusão infantil, ninguém me negava nada, eu era mais inteligente e viva do que sou hoje, eu sabia que tinha que andar, mas era mais saudável por que não me perguntava o porquê de ir – no fundo eu sabia e não arriscava a minha vida por querer saber o que eu precisava saber; eu nem achava que precisava. Eu era mais eu, tinha mais inconsciência e mais sabedoria da minha existência. Ninguém me perguntava por que eu era tão incoerente em mim mesma, ninguém me olhava com cara de espanto – eu era tão pura e tão feliz que ninguém se incomodava de partilhar daquela felicidade.
Meu coração de criança era mais amoroso e amava tanto que não me enlouquecia – e hoje meu amor, estou enlouquecida aos 19 anos. Mas eu me sinto aos 19 anos tão velha e tão cansada que nem parece que um dia fui tão criança assim! Parece que sempre fui aos 19 anos, esse eu de hoje, essa mulher jovem de hoje, mas sou velha e me engano achando que sou jovem. Sou velha. Sou mulher. Sou humana. E ter consciência de mim mesma é me perder, é ser inconsciente, é desejo consciente – e isso eu não quero, por que tenho medo do que descobrirei, mas já estou descobrindo.
É como um poço sem fundo, quanto mais cavo mais terra tem – eu sou um ser limitado e dentro da minha limitação há uma ilimitação de sentimentos, de eus, de muitas vidas, muitos renascimentos e toda uma história. Toda uma história. Todas as mulheres. Várias mulheres. E amor. Tanto amor, meu amor... É difícil, é muito difícil. Veja o quanto eu sou eu e não sei o que sou. Por que tanto pavor? Ah, eu tenho um horror ao que é eu que vivo querendo fugir da verdade implacável: Deus.
Deus é Ele todo poderoso que vive em todos os lugares, mas ele não é o mal. Ele é o bom. Deus está ali e me encara e sabe que eu não vou entender nada, assim como não entendo nada do que escrevo. Eu não me entendo... Eu amo. E não entendo. Não entendo a vida, mas nem sei por onde começar a entender, meu caminho se perdeu eu me perdi e não sei como nem quando eu me perdi na minha própria estrada. Estou no meu terreno, mas tão perdida quanto às ovelhas desgarradas dentro do cercado – eu morri de novo.
Renasci. Respirando lento... A vida, a vida toda em mim... O que sou eu? Se fosse tão fácil assim, é só puxar minha ficha no Orkut. Nem eu sei o que é saber de fato. Não. Não... Meu amor, eu preciso de calor humano, eu preciso dos seus lábios e da segurança do teu abraço para saber que estou aqui, fixada no chão – as nuvens, oh, como tenho medo de cair... É alto demais para mim. Meu amor, vê como é tudo isso? Meu amor, você tem o meu amor no fim das contas... Eu me perdi de novo... Se um dia eu me achar, quando eu me achar, sua mão vai voltar para a minha mão...
Ou isso é mais uma ilusão. Ou não. Ou sim. 

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O que é o amor?

Uma centelha que surge. Um caminho que se abre. Uma porta grande e escancarada. Um anjo. Ou alguém. O amor poderia ser qualquer coisa que forme o mundo ou poderia ser a essência de alguma coisa que fez o infinito. Uma máquina? Eu não sei, esqueci de perguntar – mas me deram a resposta e eu não sei responder exatamente.
O que é na verdade o amor? Quem o inventou e o colocou no mundo? Somos mais humanos por amar ou nos tornamos menos humanos quando amamos incondicionalmente? Até onde é certo acreditar em alguém e deixar que essa pessoa te veja por dentro dos olhos?
O amor assassina almas? Do que o amor realmente precisa para existir? Será que eu deixei alguma pista para que ele me encontrasse?, ou eu pedi que ele viesse? Se eu pedi, por que não me lembro?
O amor poderia ser o fruto proibido de Adão e Eva e, depois da desobediência, ele se espalhou pelo mundo. Mas e se Eva quisesse experimentar? Qual seria o maior pecado cometido – o de querer tentar conhecer o desconhecido? E se Deus estivesse guardando o amor naquela árvore como experimento inacabado, seria tão errado Eva procurar um sentido real para ele – o amor? Foi o que eu procurei e toda a resposta que achei foi continuar a amar, mesmo tendo tanto medo de me jogar, ainda sim fui para o topo do abismo enorme que se estendia por um infinito tão precioso quanto os olhos azuis do amor.
Eu não sei ao certo, mas creio que o que vivi foi o amor – e ainda o vivo dentro de mim. Posso ser louca ou posso me fingir de normal para viver os meus dias, mas e quando os dias acabam e a noite vem sussurrando e enchendo o ar de perfumes tão reais que ardem no meu nariz? Poderia jurar que morri – ou que só amo mesmo; tenho até medo e, temendo, vou construindo o meu futuro até chegar aonde cheguei: estou  viva, cumprindo todos os desafios de amar.


sábado, 30 de outubro de 2010

Eu te amo

Eu te amo;

Não assim como quem idealiza, mas como alguém que não teme sofrer.

Eu te amo;

Não com a prisão, mas com a liberdade de seres quem és, para ir e para vir.

Eu te amo;

Não como quem precise provar a todo instante, mas como quem sabe contemplar o silêncio e a beleza do que se sente.

Eu te amo;

E é verdade, mesmo que não te toque sempre, mesmo que não te veja nunca mais. O que repousa em minha alma jamais deixará de fluir, funciona como a máquina que fez o infinito.

Eu te amo; 

Acredite em mim. Eu amo teus defeitos; tuas qualidades; teus sorrisos; teus olhos lânguidos; teu corpo; tua alma. Sigo todos os dias adormecendo e amanhecendo com teu rosto na mente.

Eu te amo;

Mesmo que me abandone, mesmo que me torture com frieza - eu não poderia ser diferente. Teu ódio por meu amor. Eu te amo, mesmo que ninguém olhe mais para você - eu olharei sempre.

Eu te amo;

Hoje e solitária, sentada na minha cama compondo versos para você.

sábado, 25 de setembro de 2010

Você


Daquele jeito protetor. Olhinhos apertados. A maciez dos lábios que sobem e descem, desenhando delicados círculos pelos meus lábios. Encaixando cada parte calorosa do beijo, fazendo com que eu trague teu perfume, teu jeito artístico de mover teus olhares, tuas risadas longas, tuas histórias, tua vida.
Desse jeito protetor e cuidadoso. Devagar com os toques, suavemente pegando a minha mão e levando até o seu coração que palpita nervosamente. Eu olho para você e te leio a fisionomia tão mansa, tão branca e tão de paz – eu deveria emoldurar seu rosto.
Tão você em sentenças, em gracejos, em abraços de fortaleza, em beijos compassados que me consomem a carne, os ossos, a alma e até meus arrepios que percorrem a epiderme de meu ser gritante – eu pulso a estes toques belos; eu vibro; eu me remexo.
De leve, sua respiração ora compassada, ora entrecortada me faz embalar nessa tua canção natural. Esta sua voz que é dura, com um acorde de fundo doce, vibra de beleza fazendo um misto de agudo grave perfurando meus tímpanos e limpando toda a minha mente que vagueia em pensamentos desconexos sobre nuvens, céus, rosas, sabor de menta, perfume cítrico e você.
Você tão forte, tão estruturadamente impecável, tão espírito edificado pedra sobre pedra, dos anos a fio de teus desafios, parte escombros, parte construção magnífica de tuas experiências visíveis nesse teu coração revestido do couro da sabedoria dos que sabem que nada sabem e que tudo precisam para viver e sobreviver, nesse mar de confusões que é a vida.
Você ora tão impenetrável e ora tão sensível – de aspecto dúbio que vai do frio ao delicado. Você com esses olhinhos observadores e apertados, linha rígida entre as sobrancelhas, ar de mistério, pose inteligente indestrutível. Tudo tão contemplativo, tão profundo, de uma beleza única e um infinito particular na essência de tua alma.
É assim que acontece quando te vejo; essas leituras, essas tuas características em mim e vice-versa. Tantas palavras, tantas histórias, tantas experiências compartilhadas mutuamente – nossas filosofias intermináveis, nossa grande amizade, nosso grande respeito, a admirável paciência... Afinal, quem é quem?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Nosso universo

Daquela forma invisível, intransferível, única. Apenas, nosso.
Aquilo que os homens dariam suas vidas para ter. E o que seria do sentimento se ele não tivesse asas? E o que seria do Yng se não fosse o Yang?
Dá para imaginar a beleza das borboletas sem asas e a beleza das flores, sem pétalas? O que seria da sua beleza se eu não tivesse olhos para enxergá-la? E o que seria desse abismo mosntruoso do amor, se eu não tivesse coragem para pular nele?
Dá o beijo na vida. Nas duas faces da vida: na face bela e na face feia e aprende que nada é fácil, que o saboroso é enfrentar as dificuldades piores e só depois, desfrutar do que foi aprendido - em conjunto, evoluindo contigo, crescendo contigo.
E sabe de uma coisa? Eu ainda nem comecei a te amar...

                                                                                                                                                                                           

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

As viagens


Tem daqueles dias que você acorda e acha que não vai andar na mesma linha. Pode até ser; de repente nada é tão encantador, nem te faz ficar feliz, o sorriso não sai. Até que depois de tanto caminhar, sem saber bem que rumo seguir Deus acha de te mandar outro recado, outra inspiração, outro caminho.
Sem querer você aceita pelos olhos, pelo sorriso e por aquela aura com quê de arcanjo, ora tão encantadoramente magnético que te atrai numa medida incalculável, sem saídas e escolhas. Talvez você nem queira outra escolha e uma saída diferente. Mas tudo chega para você, como se só estivesse esperando para saltar e te abraçar com muita força, com aquela vontade, aquele desejo incontrolável de “Finalmente você chegou!”.
Tem uma frase de que nunca me esqueço “Tudo acontece no seu devido tempo”, essa é uma das verdades mais poderosas que já vi, assim como você. Assim como tudo o que tens para me mostrar, uma beleza de dentro para fora e que olha com esses olhos de imensidão, direcionando esse rosto de sorriso para mim, tão convidativo... Esses beijos doces... Esses abraços... Esses toques... Essas mãos... Esse perfume. Todas as suas características degustadas bem devagar para que o gosto do Diamante Negro não fuja assim dos teus lábios, com aquele tom suave do Trident preferido, o azulzinho claro... Depois você mistura com esse sotaque gostoso, voz deliciosa que me faz sonhar e viajar até os campos verdes desse lugar bonito, onde habitas.
É... Já li algo a respeito. Disse-me um grande literato, que essa voz gostosa deveria ser proibida de tão feiticeira que é, porém, discordo. O que é belo deve ser mostrado. Mas nem todos sabem apreciar. Sou eu a melhor candidata? Não, de jeito nenhum... Sou simples demais, mas dentro dessa simplicidade aprendi a dar valor muito mais do que só olhar pelo “tanto de bonito que é gente”. É mesmo toda a sinceridade que posso passar daqui, sem que jamais nenhuma palavra tenha sido dita com vãs intenções. Nada é vão. Nenhuma flor é. Nenhum perfume é. A não ser que se seja cruel demais para esmagar e maltratar tal obra tão delicada. Sou uma aprendiz de jardineiro, minhas mãos já sabem cultivar a terra.
Ensinaram-me a dar valor, até por que flores são flores. E não só pela flor, mas pela essência dela, essa parte mais linda da alma humana por que é muito mais que carne e ossos, são sonhos, amor, vontade, uma vida. “Queria descobrir em vinte e quatro horas tudo o que você adora, tudo o que te faz sorrir, e num fim de semana tudo o que você mais ama. E, no prazo de um mês, tudo o que você já fez. É tanta coisa que eu não sei, não sei se eu saberia chegar ao final do dia sem você.”
Essas borboletas, esses friozinhos na espinha, essa ligação... São sensações tão intensas, naquele tom provocante e sensual – inocente até. Mentalizar seu rosto e um delicado sorriso que surge de ponta a ponta. Você me descobre, entre risadas e outras frases, algumas músicas e certos desejos quase incontroláveis (quase por que não estamos frente a frente). Eu te descubro falando de minhas manias e decepções, depois você me diz que sou sua gêmea e fico feliz pelo encaixe meio óbvio demais.
Já te prometi uma viajem de moto, demorada... Já te prometi beijos gelados de hortelã suave, abraços de longa duração, uma excursão em você e entender ainda mais cada ponto seu de forma suave, tão delicada... Essa sua presença me causa espetáculos infatigáveis, súbitos sorrisos, intensas necessidades de teu colo – seu colo é um sonho constante.
Eu estou bem perto e a cada dia, sempre fico mais perto e posso até ouvir umas batidas pesadas e nervosas: seu coração. Talvez ouça o meu e, se fechar os olhos, te dou um beijo nos teus lábios para dormir. Portanto, não se esqueça de mim, pois jamais esquecerei você...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Pinturas do Amanhã

No meu passado eu não mexo mais
Nem nas letras que escrevi
Nem nas artes que criei
Eu não revivi.
E se pudesse, sairia daqui
Por que você está em todo lugar
Mas não quero ter forças para te deixar.
Isso não é aquele impulso vital
É só meu coração que pede você
No meu presente, as coisas não mudaram
O que importa é saber
O que será do amanhã
Se você vem ou se vai embora
Se quer ficar ou se vai sair
Se vai mentir que não me ama.

Caroline Pessoa

sábado, 10 de julho de 2010

Como você me dói de vez em quando

“…sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo... Meu Deus... Como você me doía de vez em quando... Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada, só olhando e pensando... Meu Deus como você me dói de vez em quando

Caio Fernando de Abreu

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Depois de ter você...

Depois de ter você, os dias não são mais iguais,
As árvores não são só sombras, o céu não é apenas cinza.
A chuva tem gosto bom, andar nas nuvens faz bem e beijar você
é a recompensa mais gostosa.
Depois de ter você, as pessoas sorriem sempre, as nuvens são sim de algodão-doce
E o nunca é quando você não me abraça.
Depois de ter você, a poesia faz efeito
-Eu aprendi a escrever meus melhores textos;
Depois de ter você, o pôr-do-sol vale a pena de se ver,
A lua é um espetáculo sem razão e viajo todas as noites para outros mundos.
Depois de ter você, solidão para quê?
Tudo transborda alegria, tudo é paz, amor e harmonia.
Depois de ter você framboesa virou meu batom
Jasmim o meu perfume e lírio a minha flor.
Depois de ter você, nada mais tem nada no lugar,
Eu subo nas paredes e deito no chão,
Ando em cima das estrelas até chegar ao sol para me aquecer.
Depois de ter você, nenhum beijo é mais doce
Maçã-do-amor não tem açúcar, algodão não é macio nem morango é tão vermelho assim.
Depois de ter você, rosto nenhum me interessa, corpo nenhum me aquece, beleza não vejo mais.
Não há mais voz suave, o toque das pétalas das rosas são ásperas,
Nenhuma fragrância é tão delicada.
Os anjos não são tão perfeitos, falta-lhes a luz, as asas são tortas e não têm sensualidade.
Depois de ter você, o sol não tem tanto calor,
O frio não faz efeito, mas teus olhares provocam-me arrepios.
Sonhar sempre é bom e  se você vive neles eu nunca acordo.
Depois de ter você, eu aprendi que o amor tem sentido e que trocar tudo
Viver distraída e tropeçar sem querer, realmente, faz parte da vida.
Depois de ter você, nada me desperta tanta inspiração,
Nenhum silêncio de olhares sustentados é tão comunicador, nada tem sentido...
Depois de ter você...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Monólogo da Saudade

Eu sinto uma grande saudade: daquelas que doem fundo, entorpecem a alma e cobrem os olhos de lágrimas. Sinto aquela saudade cortando por dentro e quando o sangue escorre devagarinho, ela vai lambendo mansamente os fios vermelhos que rolam a cada grande corte. Percorre-me aquela saudade venenosa que imprime seu fel no meu íntimo lacerando-me até as vísceras e fazendo meu estômago embrulhar; esse veneno que faz a boca amargar e os olhos se encharcarem d´água, que me faz ficar de joelhos e colocar as mãos na cabeça para que ela não exploda.
Eu sinto a saudade ruim, porém a boa existe também; aquela dor doce que saboreio lentamente como o vinho que desce delicadamente deixando o doce da uva e queimando com a crueldade do álcool, ao mesmo tempo que trazem-me lembranças, impressões do toque, carícias, lábios, beijos. Então eu abro os olhos e toco o nada onde você desmaterializa-se instantaneamente
A sutileza da saudade silenciosa vem quando menos se espera: a concentração foge e eu me afogo no mar de recordações sem perceber. Em silêncio. Em êxtase. Pouco a pouco os músculos vão adormecendo e somente a mente fervilha me fazendo saborear cada momento de ilusão precioso, onde absorta, crio as minhas próprias cenas, meus filmes, meus devaneios.
A minha saudade... dói no peito, mas é preciosa por que me indica à palavra mágica: amor. Em verdade, não vos digo, digo a mim mesma que amo sem pavor de sofrimentos, de dores ou saudades. Amo por que a mim foi dada a capacidade de amar e a saudade me faz refletir no quanto já estou profunda ,quando decidi ouvir a voz que me mandava mergulhar daquela grande ponte de olhos fechados.
Ah...! A saudade! É tão antagônica! Tão previsível e tão sem perspectivas de previsão! É tão bela e terrível que me deixa estática no lugar com os calafrios maltratando tanto o meu estômago. Saudade... vem no pacote do amor. Preço justo, aceitei de bom grado.
O que eu não pagaria para ter? O que não pagaria para ser acorrentada nos pés desse amor? Qual louca eu seria se não sentisse espasmos de alegria ao ter o próprio amor como composição mestra do meu corpo físico e espiritual?
Saudade... quase ninguém tem...
Um sentimento multifacetado, chicoteia a carne e deixa belas cicatrizes impressas. A saudade é uma serpente venenosa, porém sedutora, atrai-me e é tão sensual que minhas pernas tremem sem suportar o meu próprio peso. Dá-me saudade em doses nada homeopáticas, pois só assim, o amor também vem junto.  Entreguei-me e coloquei os grilhões...
Assim como sabe ser cruel, a saudade sabe ser gentil, ela afaga a face, beija os lábios e fecha o meu corpo em um abraço. Todos os dias ela vem até mim arranca pedaços enormes do meu coração e depois os devolve para fazer com que eu sofra da mesma dor todos os dias.
Para a saudade não existe farmácia, nem ervas. Não se cura com oração, nem fazendo transplante do coração; então, como se mata a saudade?
Muito simples - ou talvez não- apenas o ser que provocou tal enfermidade amorosa na alma pode exercer o milagre da cura do saudosismo em gestos simples e com overdoses de amor. Somente uma pessoa pode ser designada para tarefa tão nobre: VOCÊ.
Portanto, querido anjo, tens o aval para matar a minha saudade com tudo o que tens, toma-me para ti, enrosque-se a mim e leva-me para dentro de ti que é o meu lar, com tuas mãos benignas abre meu peito e descobre o tumor que fere meu coração, sorria e com o calor de teu sorriso queima-o. Isso deixará cicatrizes que significarão a tua marca de cirurgia e tatuagem para sempre na minha alma.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Olhar de um antigo amor


Quando caminho e penso no rio que se estende nessa imensidão, pergunto-me onde reside este meu coração. Será que ele voou para longe? Em que mãos ele se entregou? Será que foi nas mãos do amor ou da ilusão?
Foram nas mãos do amor. Na verdade meu coração estava com você.
Afoguei-me na dúvida quando achei que não fosse o momento certo; mas não há momento certo para amar; até parece que fui resgatada de algum lugar e de repente fiquei sóbria. Ou acho que estava sóbria. Na verdade eu me afundei numa overdose de amor incurável na linha reta daquele olhar, e era um olhar azul de paz, como num dia de sol e céu aberto onde as nuvens passeiam lentamente. Transpirava esperança.
Eu te olhava todos os dias de mansinho, como quem não queria nada. Realmente eu não queria nada. Mas alguma coisa acontecia dentro de mim, que explodia da forma mais gostosa possível. É assim que age o amor? A gente gosta sem saber no início e depois que o tempo vai passando é que vamos descobrindo a realidade...
Mas a história era outra. Era exatamente isso o que eu não percebia, o quanto já te amava três segundos depois que sustentei seu olhar, num certo encontro ingênuo de amigos. Uma roda, bastante gente, música e eu só via você ali, com aquela beleza estrondosa e me chamava a atenção mais do que qualquer outra coisa. O mais engraçado é que eu nem percebia que só sua presença fazia com que eu te dedicasse os melhores olhares. “Que estranho.” Pensava comigo mesma...
O problema é que te sentia cada vez mais comum e mais familiar. Então quem era você? E porque eu tive a plena sensação de que já sabia quem era você? Pouco a pouco era mais fácil chegar perto; que necessidade terrível era essa? Fazia-te perguntas costumeiras e não deixava transparecer minha empolgação. Será que eu conseguia? Tive a ligeira impressão que você me olhava com a mesma força; será que seria burrice ou certeza dizer para mim mesma que você também sentia o mesmo? Aquela sensação de “já te vi em algum lugar”? Seria ilusão eu admitir? Não. Mas me deixei levar...
Sinceramente, não sei. Mas a noite rendeu e logo passou naquele átimo detestável, quando só queríamos prolongar ainda mais o céu na terra. Eu fui embora com uma intuição que em breve te veria de novo; e assim meu coração feiticeiro acertou em cheio a predição. Já mantínhamos certo contato e com o passar do tempo, sentiamo-nos com mais intimidade. Pequenos encontros, passeios, conversas longas e tudo o que sentia era grande e lindo demais para dizer que éramos somente duas pessoas com muitos pontos em comum. Acreditei que era coisa de vidas passadas. E se fosse?
Os dias e o tempo arrastavam-se lentamente e nós saboreávamos aquela tensão amorosa de cada abraço longo, dos olhares sustentados como se fossem pontes de concreto, dos beijos no rosto e do toque sutil das mãos que encontravam-se sem querer. Parecia que várias correntes elétricas percorriam meu corpo. “O que era isso?”. Você sempre me surpreendia com mensagens, e se vinha visitar-me automaticamente eu me transformava numa espécie de luz gigante e a força do meu sorriso me denunciava.
Nunca pensei muito em amores e nem rotulava o que sentia por você. Eu nem esperava encontrar alguém e quando te achei, nem me dei conta que já te amava e que você me completava. Engraçado. Até parecia cena de filme: encontro de olhares e finalmente... Um grande amor! Nunca achei que tivesse esta sorte, até te encontrar.
Interessante é que foi tão óbvio que ignorei completamente a possibilidade. Por isso era fácil conviver contigo todos os dias porque por mais que te amasse sabia que era recíproco e morrer sabendo que você me amava era morrer feliz.
As nossas vidas (nesses termos amigáveis, não como um casal) iam bem. Ao menos eu achava que sim. Podíamos conversar e trocar olhares profundamente apaixonados por um bom tempo, que simplesmente eu maquiava aquilo, achando que era natural e que todos os que tinham alguém como eu tenho você, sentiam a mesma coisa! Pronto! Simples assim! Era normal. Era normal? Ser amigo é assim? Eu não conhecia o amor e por nunca sentir o que sentia, achava que era natural ser amiga de alguém assim.
Na verdade eu queria me enganar, que tola. E passei mesmo muito tempo me enganando até que algum anjo do amor se cansou da minha cegueira amorosa anormal e decidiu plantar em você certa idéia. Era mais um dia normal, com as mesmas tarefas de sempre para fazer, até que senti a sua necessidade de conversar comigo. Encontramo-nos e você agia estranhamente como se quisesse falar, mas o medo não deixava.
“Medo de que?” Eu pensava e ficava nervosa... Foram seus olhos que denunciaram toda a sua vontade de amor ali. Eu sorri aliviada, mas não pensava; agia instintivamente. Eu nunca deixei meu coração tomar conta de mim e naquele dia só ele falava; aos poucos deduzia a história no silêncio da voz. Os olhos. Você fala com os olhos.
“Eu te amo.” Era isso que saiu da sua boca.
Espetáculos infatigáveis tomavam-me, as fadas saíam das flores, os anjos entoavam canções e o ar perfumava-se com fragrâncias que eu nunca havia experimentado. Tudo tinha novos tons de cor... Perdi a habilidade de respirar, de andar e falar. Eu nem pensava... Mas processava o que você havia dito.
Não soube bem o que fazer, mas é bobagem. Em poucos segundos a minha boca estava colada a sua, como era para ter sido desde o início. Mas não foi só um beijo, foi a materialização mais sublime de todo o teor amoroso que nossas almas guardavam há tanto tempo. Foi a poesia e o fogo da uma paixão profunda, enraizada desde os primórdios dos primeiros seres humanos que amaram. Seus lábios percorriam suavemente os meus lábios, num encaixe mágico e delicadamente os meus moldes foram perfeitos para você; sua boca pedia com necessidade, com vontade e um vício dali formou-se. Finalmente o grito de socorro havia se calado na minha garganta quando as nossas respirações tornaram-se únicas e nossos corpos uniram-se no laço daquele abraço.
"Eu sou sua". Foi o que pensei quando te olhei e te desejei com tanta força. Eu te amo. Te amei durante todos os dias, porém como ainda era desconhecido para mim, o amor me dava medo. Me afastava querendo ficar perto; te repelia e te tragava. Na verdade você me induzia, me enfeitiçava e eu deixava. Era difícil conviver com tudo aquilo, te ver e ter medo...
Um dia, o gelo cobriu meu corpo quando me dei conta que poderia te perder. Então eu corria como uma louca, procurando-te em todas as direções, mesmo que os meu pulmões explodissem, ainda continuaria correndo e procurando... até achar... e me achar... Foi quando você me pegou no meio do caminho dizendo que no teu espaço havia lugar para mim, me tocou e em seguida fui levada pelo furacão da emoção boa da saudade misturada ao amor... Você me beijou e senti que toda a primavera havia voltado para nunca mais sair da minha vida...

domingo, 18 de abril de 2010

Síntese de te amar




Se um dia você partisse desconstruir-me-ia e a minha vida não mais existiria a partir do momento em que meu cérebro processasse que não te tenho mais.
Eu morreria da mesma dor todos os dias, só para saber que você existiu e que nada que eu vivi contigo era mentira ou fantasia.
Eu aceitaria sofrer só para sentir que a realidade da minha dor está associada ao fato da tua pessoa. Eu te amo. Mas eu não te amo como se ama no vento, eu te amo nas chuvas e nas tempestades quando elas vêm para provar o meu amor. Eu te amo nos raios, relâmpagos e nos trovões. Eu te amo no sol e na primavera, onde o desabrochar das flores mostram a beleza sincera de tudo o que sinto. Amo-te no outono quando as folhas secas caem e só o meu amor perdura, te amo inverno quando no frio requer o teu calor humano.
Amo-te assim, no mais das questões e em cada linha escrita deste texto, amo-te como nenhuma criatura já amou. Amo-te na sua constituição com todas as tuas linhas visíveis e invisíveis. Amo-te no claro e no escuro. Amo-te a cada olhar, a cada passo e a cada perfume que me invadem as narinas quando respiro a longos haustos você. Amo-te na razão e na inconsciência. Quando mergulhada no meu eu viajo procurando em meu íntimo uma verdade e quando encontro-a é teu nome que vejo.
Amo-te no ridículo, quando todo mundo me vê e me descrê. Mas a minha única perturbação seria se você não acreditasse em mim.
Eu te amo.

Caroline Pessoa

terça-feira, 30 de março de 2010

Último Inverno




Foi aqui, exatamente aqui onde eu nasci, cresci e... Morri! Sim, esta é a minha lápide, onde jazem os meus restos mortais. Sinto-me livre! Renascida, curada e em paz; deixe que eu conte a minha trágica história:
Nasci por aqui mesmo, naquela casinha acolá de madeira vermelha com uma árvore grande ao lado e um balanço. Eu adorava aquele balanço quando menina! Meus pais, humildes e de bom coração criaram-me com lições de simplicidade e com a verdadeira moral de um ser humano. Meu pai foi um nobre homem, estatura alta, cabelo castanhos aos ombros e olhos azuis que refletiam a sua bondade interior. Minha mãe, um anjo de cabelos loiros, era quase da altura de meu pai, seus olhos verdes expressavam a pureza de seu ser. Era linda... Eu lembro bem dos dois.
Foi naqueles campos verdes que eu brincava e me sentia verdadeiramente feliz. Eu tinha um amigo, seu nome era Johan. Fomos criados juntos, nossas mães eram amigas inseparáveis. Johan era um ano mais velho que eu. Parceiro das minhas travessuras, nós costumávamos fazer tudo juntos, nossos passeios eqüestres pela manhã, os banhos no rio, o nosso esconderijo secreto. Ah! Nosso esconderijo era uma velha e grande árvore que ficava na floresta de carvalhos, ela era oca. Sempre que queríamos nos esconder de nossas mães, nós íamos para lá. Era lá também que passávamos horas grudados brincando, nós éramos grandes amigos, e isso não se deve negar.
Mas foi no nosso esconderijo, que algo começou. Houve um dia em que Johan e eu fomos à nossa árvore, nós brincávamos e por alguns segundos ele olhou para mim com a força de seus olhos azuis; meu coração, por algum motivo desmoronou e calafrios arrebataram-me. Eu não sabia, mas as armadilhas da paixão estavam descortinando-se em mim.
O tempo passou, e nós fortalecemos algo. Nem sabíamos o que era, mas entendíamos que não podíamos nos separar. Eu tinha 14 anos e ele 15, a nossa pureza imutável ainda nos fazia sentir vontade das brincadeiras. Lá, no nosso esconderijo acontecera algo que mudou as nossas vidas. Sentei-me numa grossa raiz enquanto ele colhia margaridas, pois sempre amou as flores. Ao terminar, foi até mim com seus olhos avassaladores e disse-me “São para ti”, sem ar eu as aceitei. Johan sentou ao meu lado e conversamos por um longo tempo... Olhamo-nos e nos calamos por um tempo que pareceu a eternidade. Seu rosto estava mais perto quando seus lábios apertaram-se contra os meus. Eu me deixei levar. Não sabia o que estava acontecendo comigo, mas meu coração saltava e parecia querer explodir.
Aos gritos de minha mãe, nos assustamos, eu respondi logo sem desviar o olhar, nós rimos e ele abraçou-me, “O teu cheiro é mais embriagante para mim do que seria o vinho para um boêmio”, ao dizer isto eu sorri e o beijei de leve nos lábios. Voltamos antes que minha mãe chamasse outra vez.
Depois daquele dia, nunca mais eu fui a mesma e nem Johan. Se já éramos inseparáveis era agora que não nos desgrudávamos. Nosso amor era secreto, nossos encontros eram sempre naquela árvore oca, passávamos quase o tempo todo lá. Era lá também que jurávamos as mais profundas promessas de nossa paixão irrevogável. Nós costumávamos ficar muito tempo em silêncio nos encarando. Quando ele me beijava o mundo não existia, entre os braços dele não havia lugar mais seguro. Um dia Johan me surpreendeu com um colar que ele mesmo fez, tinha nossos nomes escritos num pingente em forma de coração. Eu guardaria aquilo para o resto de meus dias.
Quando eu tinha 16 anos e Johan 17, decidimos que deveríamos revelar à nossas famílias o que se passava entre nós; foi como se eles já esperassem há muito tempo que nós verbalizássemos o que já sabiam. Para mim, não poderia ser melhor.
Eu vivi intensamente todos os dias ao lado dele, eu tinha certeza de muitas coisas, mas a minha maior convicção era que eu já não poderia viver mais sem o Johan. São esses espetáculos infatigáveis da minha juventude que mais prezei as lembranças mais doces que guardei.
Nada dura para sempre. Não há matéria infinita, nem rocha que viva mil anos que um dia deixe de existir, assim como são os corpos vivos. A vida é efêmera, o homem pura matéria de dor ou alegria passa mais cedo ou mais tarde, não importa, a morte sempre vem, doce ou cruel ela chega para todos.
Foi numa tarde de inverno. Tudo estava belo, a floresta parecia encantada e toda aquela natureza que nos rodeava nos proporcionava espetáculos estonteantes. Eu fui à casa de Johan para que fôssemos passear, o que encontrei foram seus pais em agonia; Johan estava enfermo, uma doença desconhecida atacava-o. "Chamarei o curandeiro imediatamente" foi o que disse Jacob o pai dele, fiquei com D. Carmem (mãe do Johan) auxiliando-a em tudo o que ela precisasse. Meu pobre Johan dormia como um anjo esculpido em mármore ajoelhei-me diante seu leito e peguei sua mão. Meus soluços eram tudo o que se ouvia na melancolia do silêncio, D. Carmem levantou-me e abraçou-me forte, "Não se desespere! Ele melhorará!". A noite se aproximava quando Jacob chegou com um velho curandeiro e eles entraram no quarto. Jacob deixou que o velho curandeiro ficasse a sós com meu querido Johan. Meus pais vieram dar apoio a família dele, nós ficamos lá rezando e sufocando com a nossa angústia.
A madrugada avançava e de cansaço eu adormeci, minha mãe me acordou com doçura e uma tristeza misturava-se as suas palavras "Filha acorde, pois há algo que preciso contar-te. Você precisa entender..." ela não conseguiu mais falar, apenas abraçou-me como se temesse que eu desaparecesse se ela continuasse a falar. "Johan... O Johan meu bem... E-ele, foi-se..." Naquele momento era como se eu estivesse sido atingida por uma biga enorme; algo se rasgou dentro de mim e um buraco enorme tomava conta do lugar onde antes havia um coração. Não, eu não me sentia mais viva. Não era somente o fato de tê-lo perdido, era a desgraça de ter perdido o maior e mais verdadeiro amor da minha vida, de ter perdido toda a felicidade que eu sonhei em ter ao lado dele. Eu não só perdi o Johan, como perdi a vida no momento em que ele se foi.
Fui até o seu quarto, ninguém podia me impedir de vê-lo, ninguém. Ele estava lá frio, imóvel mais com a mesma beleza magnética de sempre. Cai em prantos, não poderia fazer mais nada. Eu chorei e expus a minha dor. Sei que desmaiei, e de nada mais recordo-me.
Ao acordar, já o haviam levado ao seu leito de flores; não houve um só dia em que eu não tivesse deixado de ir ao seu jazigo deixar as suas margaridas e implorar para que me levasse. Incontáveis vezes meu pai (ou minha mãe) encontraram-me por lá dormindo depois de chorar e chorar. Eu não agüentava a perda de Johan, era uma tortura interminável.
Eu tinha 17 anos, quando fui encontrada desmaiada por meu pai. Ele me levou para o quarto, ardendo em febre. O curandeiro veio logo, estava nas redondezas quando meu pai correu até ele e implorou por ajuda. Nos meus delírios, o nome de Johan era dito com freqüência, minha pobre mãe estava desesperada! Jacob e D. Carmem vieram em apoio aos meus pais, temendo que eu tivesse o mesmo fim que Johan, e eu queria este fim.
Foi angustiante, a noite caiu e eu continuei no mesmo estado, o curandeiro fez de tudo, usou seus remédios naturais e sua experiência, mais de nada adianta quando a doença está na alma e não no corpo, não há quem possa curar. Eu não queria uma cura. Fora vão todo o trabalho do pobre velho... E eu padeci.
Meus pais e os pais de Johan ficaram desesperados, mas nada poderia ser feito. A morte foi muito gentil, eu o vi. Sim! Foi Johan quem pegou minha mão e me guiou para uma luz, eu estava do lado dele e curada. Era como se eu nunca houvesse sido ferida, como se eu não o tivesse perdido. Eu estava feliz.
Por Caroline Pessoa

quinta-feira, 25 de março de 2010

Além Da morte


Além da morte, o que me espera?
Deus? Ou um demônio?
Talvez nenhum e só meu anjo.
O que está além da morte?
Será a paz? Ou continuarei com a dor?
Deus vai me curar?
Ou será meu anjo que me salvará?
Depois da morte, eu precisarei ainda respirar?
Eu ainda me lembrarei da vida aqui?
Talvez.
Talvez eu encontre um lugar em paz
E por lá poderei mesmo continuar.
E aquele anjo? Virá também?
Será que depois da morte, o céu é sempre azul?
Será que por lá há sol?
Talvez Deus caminhe visitando e curando
Aqueles que como eu, sofreram tanto.
Além da morte deve haver algo que possa me ajudar
Deve haver alguém que possa ressuscitar
Este meu coração, que tanto sangra.
E o anjo? Ele também virá?
Talvez. Será ele que me levará? Talvez.
Agora os seus olhos me encaram com doçura
A minha vez chegou
Vejo-o caminhar até mim.
E um beijo. É assim que se morre?
Em breve descobrirei o que há além da morte.

domingo, 21 de março de 2010

A velha, a menina e o pirulito




Havia uma criança que dizia para uma velha que ela ainda podia correr e pular. A velha sorri e vê que pode fazer isso. Mas, também sabe que há um fator X que a deixa prostrada.
Até que a criança pega a mão da velha e sai puxando-a, a velha deixa cair ao chão a bengala e sai correndo. Ela cai e se machuca toda. Mas, a criança sorri e diz “Vamos! Tem um pirulito para nós no fim do caminho!” e sai puxando a velha de novo que sai correndo e sem perceber, ela está começando a se mover rapidamente. Cai e tropeça outras vezes, chora com as feridas e depois levanta, continua sendo puxada e se deixando puxar pela criança e vai reaprendendo a correr, até que não topa mais.
Lá no fim, a criança ganhou o pirulito. Mas, a velha não. A velha ganhou experiência ao passo que a criança cresceu e se tornou de vez, uma adolescente. Uma garota linda e esperta demais. A garota soltou o pirulito, pegou a mão da velha e disse “Agora, você subiu vários degraus de uma só vez”. A velha satisfeita percebia que suas pernas sararam e ela se tornava mais forte à medida que a garota amadurecia. A velha foi mudando para um estado mais jovial e a menina se tornando mais e mais velha, até que chegou a um ponto em que a menina se tornou velha e a velha se tornou menina. A velha que se tornou menina percebeu que amadureceu uma vida toda e percebeu também, que apesar de suas dores poderia continuar e a menina que se tornou velha, virou algo muito mais precioso que a experiência: o coração.
As duas passaram a ser intrínsecas e não mais se separaram, porque a velha que se tornou menina tinha um coração de menina que se tornou velho e ela amava com liberdade. Agora, só faltava voar.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Lady



Ela saía de casa para seus passeios eqüestres...

Tinha cabelos longos e era de um louro, cor-do-sol.

Vestia negro, sob o céu de pesadas nuvens,

Era lívida, de olhos mui claros, da cor do mel.

Virgem dos sonhos de Byron cavalgava na solidão, um belo corcel negro.

E quem seria essa tal criatura?

Não se sabe...

Ela já se foi...


Por Caroline Pessoa